Crítica:
Por Erika Corrêa
A coleção sueca Millennium, de Stieg Larssson, composta por três volumes de literatura policial, foi traduzida em 35 países e vendeu milhões de cópias em todo o mundo. Naturalmente, após se tornar best-seller atraiu os cineastas.
A primeira adaptação que chega aos cinemas é assinada pelo diretor dinamarquês Niels Arden Oplev. Ele traz às telas o primeiro volume “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, com um elenco formado por atores também suecos.
Com todos os requintes de uma filmagem hollywoodiana, o filme conta a história do jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), editor da revista Millennium, que está sendo acusado de publicar uma matéria com denúncias caluniosas de um empresário poderoso.
Sem provas suficientes para suas incriminações, Blomkvist é julgado e condenado a três meses de detenção. Ao aguardar para cumprir sua pena, e bastante decepcionado, ele recebe uma proposta inesperada: o patriarca da família Vanger, donos da consolidada companhia de mesmo nome, quer contratá-lo para descobrir o assassino de sua sobrinha.
O problema é que a garota, Harriet Vanger, desapareceu há quase quarenta anos, sem deixar pistas, na ilha de Hedeby – onde a maior parte da família reside.
Nem sequer há provas de que houve um assassinato. Apenas Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube), seu tio, tem uma fixação em desvendar esse mistério, que por sinal, pode envolver todos os entes da família.
Mesmo assim, Blomkvist aceita o desafio, e quem aparece para ajudá-lo na investigação é a personagem Lisbeth Salander (Noomi Rapace), um tipo de heroína moderna criada pelo autor do livro. Bissexual, tatuada, com piercings, ela é hacker e tem memória fotográfica.
Começa a partir daí, um clássico thriller policial, cheio de reviravoltas e surpresas. O mundo obscuro das investigações trafega entre violência sexual, neonazismo e corrupção empresarial. Tudo isso, com tomadas da paisagem escandinava: pontes, estradas e edificações maravilhosas.
Como a obra literária é cheia de pequenos detalhes, o filme não dá conta de traduzir tudo isso em imagens e pode decepcionar os fãs da saga nórdica. Já, o personagem Blomkvist lembra Hercule Poirot, personagem dos livros de Agatha Chritie em uma nova roupagem contemporânea.
Os outros dois volumes “A Menina Que Brincava Com Fogo” e “A Rainha do Castelo” também já foram filmados e ambos dirigido pelo sueco Daniel Alfredson. Ainda na Suécia, a coleção também já ganhou seriado na televisão.
Mesmo assim, Hollywood ainda quer mostrar sua versão: o diretor David Fincher (Seven, Clube da Luta) é o candidato.
Infelizmente, Stieg Larsson, não acompanha tamanho alvoroço em torno de sua obra. Ele faleceu antes de o primeiro livro ser publicado, logo após entregar os manuscritos aos editores, aos 50 anos de um ataque cardíaco.
O imbróglio pelos direitos autorais ainda passa por uma briga judicial entre a família e a ex-companheira de Larsson. Enquanto isso, a tragédia deixa os fãs da obra ainda mais instigados.