Crítica:
Por Erika Corrêa

Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama de 2012 e Melhor Ator para George Clooney, o longa-metragem Os Descendentes tem tudo para agradar ao público: uma história comovente, em torno das conturbadas relações afetivas, com pitadas de humor e desfecho de superação da tradicional família americana.

Baseado no livro homônimo da escritora havaiana Kaui Hart Hemmings (recém-publicado no Brasil), a trama aborda a vida de Matt King (George Clooney), um administrador rico que mora em Honolulu, é herdeiro de terras na ilha de Maui, e está com a esposa em coma, após sofrer um acidente de barco.

Para piorar a situação, ele não se entende muito bem com suas duas filhas: a mais nova de dez anos e uma adolescente que estuda em um colégio em outra ilha havaiana. Juntos terão de enfrentar a difícil situação da mãe à beira da morte.

Alexander Payne, diretor também de As confissões de Schmidt e Sideways - Entre Umas e Outras, sempre declarou ser mais interessado por filmes baseados em personagens e suas relações do que efeitos especiais e robôs. Acreditava que, desta forma, se afastava dos interesses da indústria cinematográfica.

Ironicamente, Os Descentedes já fez bilheteria de mais de US$ 50 milhões nos EUA. Filmado na terra natal do presidente Barak Obama, é um dos prediletos ao Oscar deste ano.

A parte mais interessante fica para a dura transformação que o protagonista irá enfrentar: um homem já na meia idade que precisa encarar seu casamento falido, e também recuperar o tempo que acabou por distanciá-lo das filhas. Esse papel Clooney faz com muita competência.

A parte mais piegas é a decisão da venda das terras em Maui, com um desfecho sem surpresas.

Payne chega ao seu quinto filme com sucesso. Ganha público e reconhecimento internacional, mas perde no que parecia ser sua essência: um cineasta mais de ponta.

 

 

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