Crítica:
Por Erika Corrêa
Heavy metal é música pesada, repleta de acordes barulhentos e riffs estridentes. A origem e a história desse gênero musical é o tema do documentário Metal, de 2005, que só agora chega ao Brasil.
Realizado por San Dunn, Scot McFadeyen e Jéssica Joy Wise, o filme não é direcionado apenas aos admiradores desse ritmo. Até porque os verdadeiros fãs do metal vão sentir falta de um artista ou outro, vão apontar a ausência de uma referência ou música. E o filme não dá conta de trazer todos os representantes do heavy metal e suas vertentes à tela.
Esse nem é o propósito. San Dunn, antropólogo e fanático pelo gênero, decidiu pesquisar sobre o comportamento dessa tribo peculiar que se espalha pelo mundo: “os metaleiros”. Unido aos outros dois diretores e também roteiristas iniciou uma jornada pelo mundo caçando depoimentos de ícones, fãs, produtores, donos de gravadoras e até de padre.
A incursão à cultura do metal e ao comportamento bizarro de artistas e tietes traz à tona diversas curiosidades. Uma delas é a ligação com o satanismo. Além dos trajes pretos, caveiras estampadas, quem nunca ouviu falar das histórias de Ozzy Osbourne comendo morcego, Alice Cooper e o KISS matando pintinhos durantes seus shows?
Surpreendentemente, o documentário aponta que essas atitudes fazem mais parte do showbusiness do que ideologias ou religião. Mas também revela que a composição do heavy metal usa freqüentemente uma determinada progressão de acordes (Dó e Fá sustenido), conhecida como trítono, que foi tachada na Idade Média de "Diabolus in musica", ou o intervalo do diabo. Assim músicas que tinham tal intervalo, capaz de evocar o demônio, foram proibidas pela igreja católica durante muito tempo.
Até hoje o trítono é proibido nos cantos gregorianos. Wagner, o compositor clássico considerado uma influência na sonoridade do heavy metal, usava o "diabolus" em suas peças. O grupo norte-americano Slayer, presente no documentário, tem como um de seus álbuns mais famosos “Diabolus in Musica”.
O filme ainda mostra histórias de grupos do subgênero “death metal” da Noruega, ex-companheiros de Varg Vikernes, da banda Burzum, que cumpre sentença por assassinato e incêndio criminoso de igrejas. Conta também sobre a invenção do símbolo dos metaleiros feito com as mãos e visita o mundo para lá de bizarro do Ozzfest, o festival de rock pesado, que reúne três mil pessoas durante três meses, na Alemanha.
O ícone Ozzy Osbourne é ignorado por San Dunn. Ele claramente o coloca na posição de garoto propaganda de “reality show” – então, não parece digno para marcar ponto nos 96 minutos de sua fita de digital.
Mas Tony Iommi, o primeiro guitarrista do Black Sabbath fica com os créditos da origem do heavy metal, na década de 1970. E ainda o vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson, Alice Cooper, e Vince Neil, do Motley Crue, não faltaram.
O documentário ainda mostra artistas menos conhecidos como Angela Gossow, do grupo sueco Arch Enemy, considerada uma das poucas cantoras metaleiras a usar um estilo de cantar "death grunts", ou "gemidos de morte".
E tem uma pitada engraçada, pois ver um fã rechonchudo, de sunga e gravata borboleta portando uma guitarra inflável cor-de-rosa, não dá para não rir.