Crítica:
Por Erika Corrêa

Faz mais de cinqüenta anos que os Aliados quebraram as forças nazistas da Alemanha, mas o Holocausto é sempre assunto no cinema atual. Diretores já exploraram o tema das mais diversas maneiras, até em forma de paródia. Agora é a vez de O Leitor, de Stephen Daldry, que concorre a cinco Oscars (filme, direção, atriz, roteiro adaptado e fotografia,), trazer um drama de uma das feridas menos cicatrizadas da guerra: “a culpa alemã”.

Baseado no livro homônimo do advogado e filósofo alemão Bernhard Schlink, o filme é brilhante ao colocar na tela um tema indigesto calcado em uma história de amor, de maneira eficiente e emocionante. Uma paixão corrosiva entre um adolescente e uma mulher mais velha em um cenário de uma Alemanha em seus primeiros anos de “desnazificação”.

Em 1958, o garoto Michael (David Kross) conhece Hana (Kate Winslet, vencedora do Globo de Ouro e indicada ao Oscar) quando tem um mal-estar na rua, já que ela lhe presta os primeiros socorros. Após um período de quarentena, Michel resolve reencontrar essa mulher para agradecê-la e, assim, iniciam um caso. Ela é condutora de um bonde, tem 37 anos. Ele é estudante, tem 15 anos e pertence a uma família tradicional. Seus encontros são sempre no apartamento decadente e simplório de Hana. Ali, Michel lê romances dos mais diversos para ela, enquanto brincam em um jogo de sedução, erotismo - prelúdio ao ato sexual.

Um dia, ao voltar da escola e como de costume ir ao apartamento da amante, Michel percebe que ela partiu. Passam-se oito anos e eles nunca mais se encontram. Michel então passa a estudar Direito e como parte da sua tese acadêmica acompanha um julgamento ao lado de outros amigos da classe. O polêmico julgamento é de cinco ex-guardas da SS, a polícia naziasta, acusadas do assassinato de mais de 300 judias. É neste cenário de tribunal que Michel revê a antiga amante.

Toda a história é relembrada por um Michel mais velho (Ralph Fiennes), que decide abrir o passado para sua filha adolescente. O filme prende pelo suspense e pelo romance. Levanta um questionamento sobre amor, repulsa, culpa e conseqüências do passado. Até que ponto as atrocidades da guerra podem ser perdoadas e o quanto um segredo, por mais banal que pareça, pode impedir ou condenar alguém a prisão perpétua?

 

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