Crítica:
Por Erika Corrêa
Longe sete anos das telas do cinema, Mel Gibson volta a atuar como protagonista no thriller policial, O Fim da Escuridão, de Martin Campbell (Cassino Royale).
Baseado em uma série da BBC, lançada em 1985, o filme traz o outrora galã, agora com suas rugas proeminentes, no papel de Thomas Craven, um veterano detetive da divisão de homicídios do Departamento de Polícia de Boston, que tem sua única filha de 24 anos, Emma (Bojana Novakovic), assassinada na porta de sua casa.
A principio, todos pensam que o alvo era Craven, já que é comum policiais sofrerem retaliações ou vinganças de bandidos que prenderam. Mas ao desenrolar da trama, ele descobre que sua filha estava envolvida em uma investigação secreta de contrafação, que compromete uma corporação poderosa e o alto escalão do governo norte-americano.
Daí para frente entra no cenário: armas nucleares, terroristas, um agente sombrio do governo, que não sabe de que lado está e, muito sangue e tiro. Só faltaram mesmo para um típico policial hollywoodiano, as homéricas perseguições de carro.
O seriado, que foi realizado em apenas seis episódios, foi um sucesso de público e crítica na época. Afinal, em tempos da Guerra Fria, um enredo com armas nucleares era algo ainda curioso e coevo.
A adaptação para os dias de hoje, realizada por Campbell, que também dirigiu o seriado, não deverá repercutir o mesmo sucesso dos anos oitenta. Além de o tema estar para lá de desgastado, Gibson já está velhinho para fazer o herói que faz justiça com as próprias mãos. Vê-lo se esbofeteando com um garoto de vinte anos é de doer.
Alguns diálogos também são carregados de moralismo, principalmente os trocados entre Craven e o agente solitário Ray Winstone (Darius Jedburg). Em uma cena, o matador Ray não atira em um policial justamente após perguntar se ele tem filhos e esposa. Clichê é pouco.
Herói de Máquina Mortífera, vencedor de Melhor Diretor no Oscar por Coração Valente, Gibson ainda tem sua parcela de fãs pelo mundo. E histórias com sangue e tiros ainda deve atrair os “meninos” aos cinemas.