Por Erika Corrêa

Após 34 anos, o diretor James Marsh apresenta O Equilibrista, filme documentário que conta sobre um acontecimento que abismou o mundo na época e foi considerado o crime artístico do século XX. Rememorado na tela, o acontecimento agora assombra os espectadores, tanto que conquistou o prêmio de Melhor Documentário deste ano e foi aplaudido em diversos festivais.

A história é sobre mais um desses malucos viciados em adrenalina, que vivem no limite e dedicam sua vida a um sonho: o francês Philippe Petit, que aos 23 anos, se equilibrou, sem proteção alguma, em uma corda bamba pendurada entre as torres do World Trade Center, em Nova York, até então o prédio mais alto do mundo.

Petit atravessou a corda oito vezes, fez malabarismos a mais de 400 metros do chão, durante 40 minutos até ser preso pela polícia nova-iorquina.

Hoje, as cenas chocam pela ousadia do equilibrista, e também pelo vazio que o feito provoca, já que nunca mais poderá ser repedido após a trágica queda das torres gêmeas.

O documentário mostra os detalhes da operação, com entrevistas e relatos do carismático equilibrista e seus companheiros do golpe, passando pelo planejamento para se infiltrar no WTC e os momentos de perigo já dentro do prédio. Algumas cenas que não puderam ser gravadas na época ainda foram reconstituídas em preto e branco dando mais emoção ao filme.

O cineasta mostra outros feitos malucos ao longo da juventude do francês como, ter andado ilegalmente numa corda bamba entre as torres da Catedral de Notre Dame, em Paris e entre os postes da ponte do Sydney Harbour, a maior ponte de arcos de aço do mundo, na Austrália.

E ainda revela como surgiu a idéia bizarra de se equilibrar entre as torres. Petit estava com dor de dente, foi ao dentista e na sala de espera folheava uma revista quando viu uma fotografia das torres ainda em construção. Rasgou a página, colocou embaixo da jaqueta e foi embora: “Assim, claro, terei dor de dentes por uma semana, mas o que é uma dor agora que tenho um sonho?” comenta o protagonista no documentário.

No Oscar deste ano, Petit aos 57 anos, equilibrou o troféu no queixo, ao receber o prêmio.

 


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