Crítica:
Por Erika Corrêa

Mozart, Beethoven e Molière, são alguns dos gênios que ganharam interessantes versões cinematográficas, diferentes de uma tradicional biografia. Respectivamente os filmes Amadeus (1984), Minha Amada Imortal (1994) e As Aventuras de Molière (2007) contam por meio de uma leitura livre, episódios da vida desses personagens. Mesmo que “imaginados” pelos diretores são todos coerentes à época e passaram por pesquisas históricas.

Assim, acontece também com filme O Desafio de Jean La Fontaine (2007), do diretor Daniel Vigne, que decorre sobre a vida do poeta francês Jean De La Fontaine (1621-1695), autor de fábulas perpetuadas no mundo todo como “A cigarra e a formiga”, “A lebre e a tartaruga”, “A raposa e as uvas", dentre outras.

De origem burguesa, La Fontaine viveu em Paris sob o reinado de Luis XIV, o Rei Sol (1643 a 1715). E é justamente resvalando em um episódio histórico que se inicia o filme: uma festa no palácio de Nicolau Fouquet, amigo das artes, que vivia cercado por pintores, escritores e poetas, e se tornou em 1653 o superintendente das finanças do rei.

Na festa, Luis XVI (Jocelyn Quivrin) se incomoda com a fortuna do anfitrião e logo em seguida pede sua prisão, acusando-o de peculato e de traição. Os diversos artistas escoram-se no rei, mas Jean de La Fontaine (Lorànt Deutsch), inconformado, começa uma campanha assídua contra a prisão do amigo e do poder absolutista de Luis XVI.

A trama então se foca na intriga entre o poeta e os homens da corte. E é neste contexto que o diretor “imagina” como foram surgindo as fábulas de La Fontaine, seu processo criativo, suas inspirações e a imensa quantidade de animais com características humanas que passaram a fazer parte de seus contos com fundo moral.

As antigas tabernas também fazem parte do cenário, e ali está um complexo de personagens históricos famosos: Molière (Julien Courbey), Racine (Romain Rondeau), sentam-se a mesa de jogo e bebedeiras. E ao percalço de Fontaine está o ministro das finanças Jean-Baptiste Colbert. (Philippe Torreton) - o principal aplicador do sistema mercantilista na França.

Daniel Vigne ainda enquadra o luxuoso palácio de Versalhes, obra de Luis XIV e cria um diálogo em que o rei fala sua frase mais famosa: "L'État c'est moi" (O Estado sou eu).

O Desafio de Jean La Fontaine permeia entre ficção e história: leve, mas sem distorção. Uma boa opção de entretenimento, que pode despertar o desejo de conhecer mais sobre os grandes artistas que viveram nessa época.


 

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