Crítica:
Por Rita Alves (com Agência O Globo)
Os irmãos Pevensie são magicamente transportados outra vez da Inglaterra ao mundo de Nárnia. No novo capítulo da série As Crônicas de Nárnia, os personagens terão de enfrentar mais um teste de coragem.
Passado um ano dos incríveis acontecimentos de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, os reis e rainhas de Nárnia se vêem de volta ao longínquo e maravilhoso reino e descobrem que mais de 1300 anos narnianos se passaram. Enquanto estavam longe, a Era de Ouro de Nárnia chegou ao fim, e Nárnia foi conquistada pelos Telmarines. Quem está no comando depois dessa mudança é o maligno rei Miraz.
Na aventura atual as crianças encontram um novo personagem: o Príncipe Caspian, herdeiro legítimo do trono de Nárnia. O príncipe é sobrinho do impiedoso Miraz e vive escondido enquanto seu tio planeja matá-lo. A morte do príncipe significa a transferência do trono para o filho recém-nascido de Miraz. Com a ajuda de um duende, de um rato falante, de um texugo chamado Trufflehunter e do Duende Negro, Nikabrik, os narnianos, liderados pelos poderosos cavaleiros Peter e Caspian, embarcam em uma fantástica jornada para encontrar Aslam, retirar Nárnia do domínio tirânico de Miraz e restaurar a magia e a glória da terra.
O primeiro episódio, “O leão, a feiticeira e o guarda-roupa”, estreou em 2005 e faturou mais de US$ 745 milhões no mundo todo, sagrando-se um dos maiores sucessos cinematográficos da Disney. E essa segunda parte tem tudo para manter o bom desempenho da estréia.
Os cenários iniciais de Nárnia –ilhas da Nova Zelândia- são de embasbacar, com praias paradisíacas e águas transparentes, de tom indefinido entre o verde e o azul.
Para quem não assistiu ao primeiro longa, vale a contextualização: Aslam, o poderoso e sábio leão que comandava o reino, continua misteriosamente desaparecido. E apesar da destruição da bruxa do primeiro longa, Nárnia não se encontra mais tão fabulosa quanto antes. A terra está enfraquecida, a natureza, morta. Os animais, ao invés de serelepes, espertos e falantes, viraram algozes. As árvores, sem vida, já não dançam mais.
Os responsáveis por tamanha destruição são os telmarinos, liderados pelo cruel lorde Miraz (Sergio Castelitto). Com o nascimento de seu primeiro filho, um menino, ele dá a ordem para que o Príncipe Caspian, único herdeiro do trono, seja assassinado. Caspian foge para dentro da floresta onde antes existia Nárnia, e é ele que, por acidente, acaba chamando os quatro irmãos de volta ao reino encantado.
A partir daí, Caspian se une aos guerreiros de Nárnia para conseguir tirar Miraz do poder. E o filme, que no início parecia uma fábula infantil, ganha ares de épico, com direito a batalhas campais –nas quais lutam, de espada e arco em punho, os três irmãos adolescentes. Há mortes aos montes e até cabeças decepadas. As relações também amadurecem: Caspian e Pedro disputam a liderança do grupo, enquanto o primeiro se encanta por Susana (e muito sutilmente é retribuído).
O visual deste “As crônicas de Nárnia” chega a superar o elogiado primeiro filme, que inclusive ganhou indicações ao Oscar por ele, tendo vencido na categoria maquiagem. A maestria nesse quesito permanece, aliada a incríveis efeitos de computação gráfica, que dão vida aos seres míticos de Nárnia, como os centauros. O leão Aslam (dublado originalmente por Liam Neeson) também não deixa nada a desejar.
Ao contrário de outras franquias de sucesso que mudam de diretor a cada nova produção, “Nárnia” continua sendo coordenada pelas talentosas mãos de Andrew Adamson, que tem em seu breve currículo nada menos que “Shrek” 1 e 2. Inclusive, é dele a responsabilidade pela descoberta dos quatro protagonistas e por levá-los para o cinema. No elenco Georgie Henley, Skandar Keynes, William Moseley, Anna Popplewell, Ben Barnes e Peter Dinklage.
As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian (The Chronicles of Narnia: Prince Caspian, EUA/Inglaterra, 2008, 144 minutos).