Crítica:
Por Lucia Helena de Camargo
Diego Armando Maradona é uma das sensações da atual Copa do Mundo disputada na África. O técnico da seleção argentina, considerado deus do futebol em seu país, é mestre em gerar polêmicas. Durante a Copa da África do Sul, reclamou da bola da competição, dizendo que "ela não gira e não vai até o local em que o jogador tenta mandá-la". O fato de Jabulani ser fabricada pela Adidas, patrocinadora oficial da equipe argentina, não o impediu de dar a declaração. A índole iconoclasta de Maradona garantiu-lhe uma legião de fãs e outra de desafetos. No primeiro time está o iuguslavo Emir Kusturica, diretor do documentário Maradona (Espanha/ França, 2008, 90 minutos), que chega agora às locadoras brasileiras. Lançado diretamente em formato DVD, o filme não entrou no circuito de cinemas. Foi exibido em tela grande em São Paulo apenas na Mostra de 2009.
O documentário reúne entrevistas com o craque gravadas por Kusturica desde a década de 1980, além de imagens de Maradona na infância, já jogando bola melhor do que os demais meninos.
Sem meias palavras, o diretor se declara fã de Maradona. E é assim também que o jogador argentino fala abertamente para a câmera sobre o vício em cocaína que quase o destruiu. "Eu poderia ter ido mais longe, se não fosse a droga", analisa Diego. Alguém duvida?
A parte divertida do filme fica por conta das cenas de celebrações da Igreja Maradoniana, fundada em 1998 por torcedores argentinos inconformados com a eleição de Pelé como o maior jogador de futebol de todos os tempos. Para os seguidores, o ano zero é 1960, quando nasceu Diego Maradona. O "golário" maradoniano possui 34 bolinhas e uma chuteira, que simbolizam os 35 gols que o jogador marcou pela seleção argentina. Para ser batizado, o fiel precisa encenar um gol como aquele feito por Maradona na Copa do Mundo de 1986, que renderia a vitória à Argentina, e tornaria popular a expressão "a mão de Deus", pelo motivo óbvio. No casamento dessa religião peculiar, o casal promete, além do amor ao parceiro, fidelidade aos princípios da igreja maradoniana, sendo que a base do juramento é o postulado: "Diego, nosso deus do futebol, foi, é e será sempre o melhor jogador de todos os tempos."