Crítica:
Por Lucia Helena de Camargo

Deuses gregos cheios de vontades e vaidades, com muito poder, beleza e todos os habitantes da Terra para brincar de marionetes. Esse é o tom de Imortais (Immortals, EUA, 2011, 110 minutos), que entra em cartaz nesta última sexta (30) do ano. Com direção de Tarsem Singh, o roteiro foi escrito por gregos: Charles Parlapanides, Vlas Parlapanides. A estética é parecida à do filme 300 (baseado na graphic novel de Frank Miller sobre a Batalha das Termópilas). Os produtores de ambos os longas são os mesmos.

Mickey Rourke vive o sanguinário rei Hipérion, que declara guerra contra todo o mundo grego e, para reforçar seu exército, tenta libertar os Titãs presos por Zeus (Luke Evans) no Monte Tártato. Entre um ataque e outro, uma das metas do rei é achar uma arma que teria o poder de destruir a humanidade.

Com objetivo de impedi-lo, Zeus então escolhe o mortal Teseu (Henry Cavill), para comandar o exército grego e lutar para destruir o rei imperialista. Ele conta com a ajuda de uma bela sacerdotisa (Freida Pinto, de Quero Ser Um Milionário e Planeta dos Macacos – A Origem), Outros deuses conhecidos dão as caras no longa: Daniel Sharman como Ares; Isabel Lucas encarnando Athena; Kellan Lutz como Poseidon, Steve Byers é Heracles; e Corey Sevier, Apollo. Aparecem ainda Ícaro (Romano Orzari) e até o Minotauro, vivido por Robert Maillet.

Com orçamento da ordem de US$ 115 milhões, o filme que estreou nos Estados Unidos no dia 11 de novembro com bilheteria mediana (US$ 32 milhões no primeiro final de semana), até a semana passada tinha feito apenas US$ 82 milhões. Ou seja, ainda nem se pagou. Os mercados mundo afora são a esperança dos produtores para pelo menos não perder dinheiro. O épico parece não ter caído no gosto do público.

Não surtiram efeito nem os recursos de três dimensões, incluídos com intenção de fazer o espectador se sentir dentro das sangrentas batalhas travadas com espadas entre os deuses fortões do Olimpo. O 3D, aliás, começa a ser repensado. E vem diminuindo consideravelmente sua presença nos filmes. Ainda bem. Com a sensação de Avatar, de James Cameron, a festa começou grande. Tudo tinha que ser em três dimensões.

O futuro seria com 100% das salas exibindo filmes nesse formato, chegou a ser cogitado. Porém, a audiência foi pouco a pouco chegando à conclusão que não é preciso que tudo venha no formato. Uma boa exibição em duas dimensões ainda pode ser muito prazerosa. O problema com o filme, porém, reside não apenas na forma. O conteúdo não tem agradado a quem espera ver nas telas um épico memorável, tampouco aos que buscam diversão fácil. Em dúvida sobre como melhor emplacar sua história, a Relativity Media chegou a alterar o título oficial várias vezes. O longa foi chamado de Dawn of War (Alvorecer da Guerra) e War of the Gods (Guerra dos Deuses), antes de ganhar o nome definitivo de Imortais.

 

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