HARRY
POTTER CHEGA À IDADE
DA RAZÃO
Harry
Potter, o bruxinho maravilha, chega à idade
da razão em seu quinto filme, com
seu nome mais o subtítulo A Ordem
de Fênix.. Que ninguém tente
entender por que se chama assim, e o que
seria de O Prisioneiro de Azkabhan se fosse
explicado pela sua carteira de identidade?
Como
se sabe, Potter teve infância
a paternidade obscura. Vários fantasmas
o atormentam e ele vai estudar bruxaria numa
requintada e rígida escola da Inglaterra,
o país que mais reverência seus
espectros, acreditam neles e até aplaudem
quando arrastam grilhões por castelos
sombrios e uivam como almas penadas.
Mas
ele cresceu e, em vez de espinhas na cara,
seu espírito
agora se atormenta com questões
sobre o bem e o mal. Deve morrer ou matar
seu arquiinimigo Valdemort,
já que no mundo não cabem os
dois. Há muito pessimismo no ar e
questões graves a resolver, como os
limites entre o bem e o mal ou entre a ficção
e a realidade.
Ele,
tão
novinho, está muito
mais tenso e amargurado. Cercado de meninas
assanhadas, dá seu primeiro beijo,
e meio chocho, na suave oriental Cho Chang.
Harry
Potter tem uma varinha mágica,
em todos os sentidos. Fruto da imaginação
da escritora J. K. Rowling, que com seis
livros vendeu 325 milhões de exemplares
no mundo (o sétimo, The Deathly Hallows,
terá lançamento mundial no
fim deste mês), tornou-se a primeira
bilionária da literatura.
Dizem
que Rowling é uma
tirana, tratando a chibata as equipes de
filmagem, para que
obedeçam fielmente o seu texto. Dizem
também que consegue, o que não
deixa de ser um passe de mágica no
mundo industrial do cinema.
Potter,
sempre muito bem interpretado por Daniel
Radcliff,
com
seus óculos e
sua timidez, é um sucesso. Está chegando
ao Brasil com 725 cópias, sendo 443
dubladas e 282 legendadas. Criatura de fantasia,
ocupa o centro de uma trama política
na qual está envolvido o Ministro
da Magia (sim, esse cargo existe no filme,
que não se passa no Brasil). Para
triunfar, tem fé na amizade de Harmione
e Romy, que vieram dos outros filmes.
Tudo
para enfrentar uma enxurrada de fantasmas
de formas
bizarras,
que esconjuram gritando
frases em latim, e a intervenção
de uma bruxa maligna, aparentemente educada
(Ismelda Staunton), enviada pelo ministro
para desbaratar a escola de Hogwarts.
O
elenco é muito
bom e a insinuante Emma Thompson aparece
irreconhecível,
feia como uma bruxa, no papel de uma professora.
O diretor David Yates, que não havia
visto nem lido as histórias anteriores,
trabalha mais em televisão e ficou
tentado pela oportunidade de envolver bizarros
cavalos alados criados por computação
gráfica voando sobre o Tâmisa.
O
resultado diverte e de certa forma educa,
pois a obra
de
Rowling tem também
ferrenhos opositores por divulgar a prática
de magia e outras formas de irracionalidade
humana. O diretor acertou no tom.
É tudo
uma grande brincadeira e no mundo dominado
pelo demônio da técnica
Harry Potter é um bruxo à moda
antiga. Seu modo de transporte preferido,
por exemplo, é a velha e boa vassoura
que encantou e assombrou tantas gerações.
Crítica:
Por Fernanda Pressinott
E O BRUXINHO
DESCOBRE O ÓBVIO: A
PERFEIÇÃO É PURA UTOPÍA
Harry
(Daniel Hadcliffe): o primeiro beijo em Cho
Chang
(Katie Leung)
Aurores, os bons, ajudam Harry Potter no
combate aos dementadores, os maus.
Depois
de longas férias
sem contato com os amigos, Harry Potter (Daniel
Hadcliffe)
volta à escola de bruxaria de Hogwarts.
Mas dessa vez não é tão
bem recebido. Com exceção de
alguns colegas, entre eles, claro, Hermione
Granger (Emma Watson) e Rony Weasley (Rupert
Grint), ninguém acredita que o temível
Lord Voldemort (Ralph Fiennes, foto) tenha
voltado.
Uma
campanha do jornal O Profeta ajuda a desmoralizar
o bruxinho.
E o mais estranho:
o professor Alvo Dumbledore (Michel Gambon)
simplesmente parece ignorá-lo.
Em
Harry Potter e a Ordem da Fênix,
o quinto episódio da série
baseada nos livros da inglesa J. K. Rowling,
Harry tornou-se um adolescente e é a
primeira vez que aparece sem equilíbrio
emocional.
Também é neste
episódio
que o bruxinho descobre que os adultos que
mais admirava, entre eles Dumblendore e seu
padrinho Sirius Black (Gary Oldman), não
são perfeitos e cometem muitos erros.
A
história
está bastante relacionada à jornada
de Harry Potter e de seus pais. É nela
que aparece a primeira vez a Ordem de Fênix,
uma organização fundada para
combater as forças do mal, da qual
participavam, no passado, os pais de Harry
e de Neville Longbottom (Matthew Lewis).
O
problema é que,
no filme, a importância
da Ordem e de seus membros não fica
muito clara. Portanto, quem não leu
os livros vai ficar sem muitas explicações.
De
qualquer forma, vale a pena ver. É entretenimento
garantido, com muitos efeitos especiais e,
sem dúvida, imperdível para
os fãs de Harry. Já no começo,
o bruxinho enfrenta dois dementadores em
uma cena bem sombria. Para isso, usa o feitiço
do Patrono fora da escola e, como consequência,
tem que passar por um julgamento burocrático
e sujo do Ministério da Magia.
Como
se não
bastasse, o ano em Hogwarts começa
bem diferente. O ministro da magia, Cornélio
Fudge (Robert Hardy), nomeia a professora
Dolores Umbridge (Imelda
Staunton) – uma das vilãs desse
episódio, mesmo sem ter conexão
com Voldemort – a responsável
pelas aulas de Defesa Contra as Artes das
Trevas, com a clara missão de impedir
que os estudantes aprendam a usar feitiços.
Resta a Harry ensinar, escondido, a arte
de defesa para seus amigos, que enfrentarão
uma cruel batalha contra o mal.
Esse
episódio
se distancia do universo infantil, não
tem corujas, carros voando, jogos de quadribol
ou feitiços
engraçados. Pelo contrário,
tem momentos assustadores, garantidos pelo
diretor David Yates, até então
conhecido por trabalhos na televisão
inglesa.
Para
os fãs
que acompanham o crescimento de Harry, dois
momentos são particularmente
interessantes: o bruxinho dá seu primeiro
beijo em Cho Chang (Katie Leung). E, finalmente,
sabe-se porque o professor Severo Snape (Alan
Rickman) – cada vez mais parecido com
a descrição do livro – o
detesta tanto. Na obra escrita, claro, esse
episódio é muito mais detalhado
e vibrante. No filme, passa rápido,
serve só como uma pequena explicação
sobre o atrito entre professor e aluno.
Em
Harry Potter e a Ordem da Fênix
aparecem alguns novos personagens que continuarão
fazendo parte da saga: a estranha nova amiga
de Harry, Luna Lovegood (Evanna Lynch), e
a vilã Bellatrix Lestrange (Helena
Bonham Carter), com papel pequeno nesse episódio,
mas que ganhará importância
como comensal da morte no próximo
filme. Aliás, quem não tiver
paciência para sagas, desista. Nessa
filmagem fica evidente que a história
não acabou.