Crítica:
Por Erika Corrêa

A guerra do Iraque foi tema de diversas produções cinematográficas desde o início do conflito há sete anos. A maior parte dos filmes do gênero de aventura ressaltou o heroísmo norte-americano e firmou-se na imagem do vilão de turbante e barba.

Todavia, alguns diretores lançaram documentários e ainda ficções baseados em fatos verídicos que se posicionaram contra a invasão empreendida pelos EUA, como foi o caso de “Redacted” (Editado/2007), de Brian de Palma, que se baseou no episódio em que soldados americanos estupraram e mataram uma garota iraquiana. Houve também espaço às sátiras, como o sagaz "In the Loop”, ambos ainda inéditos no Brasil.

O que ainda não havia sido realizado era um filme sobre o Iraque que tratasse mais da insenssatez da guerra e da consequente loucura por ela provocada. Algo como o inesquecível Apocalipse Now (1979), de Francis Ford Coppola, onde a insanidade e o “horror” são ressaltados sem atribuir lados do bem ou do mal no Vietnã. Ou ainda algo como o clássico “Nascidos para Matar”(1987), de Stanley Kubrick, em que a desumanização mostra-se inerente à guerra.     

A diretora Kathryn Bigelow conseguiu esse feito com o Iraque, em seu primoroso  Guerra ao Terror. Lançado primeiro em DVD, o filme só ganhou as telas do cinema após receber diversos prêmios.

Kathryn Bigelow, ex-esposa de James Cameron (Avatar) foi a primeira mulher a ganhar o prêmio de Melhor Direção, na história do Directors Guild of America (DGA). No Oscar, o filme concorre em nove categorias, dentre elas, as mais importantes: Filme, Direção e Ator (Jeremy Renner).

Logo no início do filme, a legenda explica: “A guerra é uma droga”. Mas essa analogia é esquecida no decorrer da ação, tão eletrizante que é impossível desgrudar os olhos da tela.

O soldado de elite William James (Jeremy Renner), especialista em desativar bombas, chega ao Iraque para substituir outro soldado morto em missão. Nas operações, vai liderar o sargento Sanborn (Anthony Mackie) e Owen Eldridge (Brian Geraghty) que está fazendo acompanhamento psicológico depois da morte de seu companheiro.

Logo na primeira missão, James se mostra absolutamente arrojado, quase que irresponsável em suas ações, e acaba entrando em conflito com Sanborn.

A cada ação do grupo, uma nova injeção de adrenalina, com atuações do elenco impecáveis.  

Rodado em locações como a Jordânia e o Kuwait, o cenário árido e desértico deixa Guerra ao Terror ainda mais sufocante. Por meio de um roteiro muito bem elaborado, assinado por Mark Boal (No Vale das Sombras), a paranóia dos soldados vai se revelando. Afinal, dificilmente eles conseguem perceber quem são os inimigos e quem são os terroristas. O velhinho simpático que arrasta uma carroça com um burro pode carregar explosivos ou, quem sabe, um garoto que vende DVDs pode ser um homem-bomba.  

E depois de muita ação e adrenalina o desfecho remete a epígrafe: se a guerra é uma droga, pode viciar. Alguns soldados jamais conseguirão retornar a vidas normais. Colonel Walter E. Kurtz (Marlon Brando) não deixou o Camboja, em Apocalypse Now. James Willian continuará desativando bombas no Iraque até quando?

Infelizmente o título em português deixa muito a desejar. O original “The Hurt Locker” pode ser traduzido por “Cicatrizador”, algo muito bem criado.

 

 

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