Crítica:
Por Erika Corrêa

Em 1982, Reginaldo Faria estrelava como protagonista do filme Pra Frente Brasil, um retrato ácido sobre os anos de chumbo da ditadura brasileira. Quando chegou às telas a história de um humilde trabalhador confundido com um subversivo, durante os jogos da Copa do Mundo, João Figueiredo, o último governante militar, ainda era presidente, e a tortura e a repressão feridas abertas.

Muita coisa mudou no País após o final da ditadura, assim como foram lançados diversas outras produções sobre esse nebuloso período da nossa história. Documentários ou ficção: Lamarca, Vladimir Herzog, Zuzu Angel foram retratados no cinema.   

Em ano de eleição, o diretor gaúcho Paulo Nascimento apresenta mais um filme sobre o tema: desta vez a história a do jovem Boni, integrante do grupo guerrilheiro Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) – o mesmo que a pré-candidata Dilma Rousseff integrou, em 1969, ao se fundir com o grupo COLINA (VAR-Palmares).     

Baseado na história real do estudante brasileiro João Carlos Bona Garcia, o filme ganhou quatro Kikitos no Festival de Cinema de Gramado de 2009: Melhor Diretor, Melhor Ator (Leonardo Machado), Melhor Trilha Sonora e Prêmio Especial do Júri.

Se houve alguma intenção panfletária, o roteiro bem elaborado, as locações estendidas à França, Marrocos, Chile e Brasil, e o empenho dos autores, abafam o intento.

É possível assistir Em teu nome, se envolver com o romance e o drama político, sem sair partidário às legendas atuais. O filme mostra os horrores da ditadura, mas também levanta um questionamento a respeito da eficácia da luta armada. Se de um lado existe o torturador impiedoso, do outro se revela a ingenuidade de uma juventude despreparada, confusa e insegura.

Baseado no livro homônimo de outro atual pré-candidato, Fernando Gabeira (ao governo do Rio de Janeiro), o filme O que é Isso Companheiro (1997), de Bruno Barreto, mostrou a ação do grupo MR-8, que seqüestrou o embaixador americano Charles Elbrick.

Aqui, Nascimento traz o sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher pela VPR, dez meses após ao do americano, e que culminou na troca de setenta presos políticos, exilados no Chile.

Todavia, não é a operação do seqüestro em si que Em Teu Nome mostra. O filme apresenta o episódio para abordar um tempo em que era difícil ser jovem politizado. Um dilema perverso proposto na tela: cruzar os braços ou entrar na insana resistência armada? Para a nova geração, um bom tema para discussão e aprendizado. Mas é preciso conhecer melhor sobre o assunto, já que o filme é, ainda assim, apenas um pequeno recorte e pouco didático.

 

 

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