Crítica:
Por Erika Corrêa

     Em setembro de 1971 o maior assalto da história da Inglaterra aconteceu bem no centro financeiro da capital londrina. Um grupo cavou um túnel até os cofres do Lloyd´s Bank e levou além de milhões, fotografias comprometedoras dos correntistas. Ninguém foi preso e nem o dinheiro foi recuperado. A história permaneceu sigilosa por trinta e cinco anos, até que em 2006 os arquivos do lendário roubo foram reabertos.

O problema foi que dentre as fotografias furtadas, havia um suposto escândalo sexual que envolvia diretamente a coroa britânica. De quem se tratava? Como os ladrões escaparam? Por que a imprensa foi calada na época? Esses, são alguns dos segredos que o diretor australiano Roger Donaldson (Treze Dias que Abalaram o Mundo) tenta revelar em seu eletrizante triller policial, Efeito Dominó.

O filme prende do começo ao fim. E se o espectador torcer pelos bandidos, não é porque eles são “bonzinhos”, mas sim porque parecem os envolvidos mais inocentes da história. Na intriga estão policiais corruptos, políticos inescrupulosos e um monte de gente rica e poderosa tentando abafar seus “demônios”. O cofre aberto funcionou como a Caixa de Pandora. Dos bens que a polícia se empenhou em recuperar, a maioria nunca foi reclamada.

No papel principal está Jason Satathan (Carga Explosiva, Uma Saída de Mestre) um vendedor de carros que recebe uma proposta de uma ex-amante (Saffron Burrows). Trata-se de planejar e roubar o banco. Assim outros ladrões se agregam à dupla, formando uma quadrilha para lá de díspar.

O que parecia ser um golpe de mestre, se complica quando um operador de rádio amador capta nas ondas curtas uma conversa entre o que parecia ser uma equipe de assaltantes e um responsável pela vigilância do crime. A polícia é avisada que está acontecendo um roubo em um raio de 16 km da Central London, ou seja, uma área que tem 750 bancos. Na história real o assalto ficou conhecido, portanto, como “o roubo do walkie-talkie”.
“ Gosto de dar uma olhada no que faz a sociedade pulsar e eu estava interessado em fatos reais. Reviramos os arquivos nacionais e fatos que não viam a luz desde o dia que aconteceram em 1971”, diz Donaldson.

E se a receita foi mesmo misturar suspense, policial e fatos verídicos, o resultado, aqui, foi mais do que acertado. Durante o filme um friozinho na espinha o tempo todo, a atenção totalmente presa e no final uma vontade enorme de descobrir mais e pesquisar sobre a verdadeira história.

 

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