Crítica:
Por Lucia Helena de Camargo

Um diálogo entre a mortal Isabella Swan (Kristen Stewart) e o lobisomem fortão Jacob Black (Taylor Lautner) sintetiza a ação de Eclipse, terceiro episódio da saga Crepúsculo. Jake pergunta a Bella o que está acontecendo. Ela responde que há uma turma de vampiros tentando matá-la. "O mesmo de sempre...", observa ele, em uma auto-ironia do filme, que acaba de chegar aos cinemas, cumprindo uma peculiar estratégia de marketing: estreou na última quarta-feira (30 de junho). Dessa maneira sua bilheteria não concorre com outras estreias nem com o jogo da Copa do Mundo entre Brasil e Holanda, que acontece na manhã desta sexta (2).

Os fãs da série provavelmente vão apreciar as cenas algo ousadas entre Bella e Edward Cullen (Robert Pattinson) que começam a ser incluídas. E o triângulo amoroso fica mais apimentado, com o aumento da competição entre os rapazes para ver quem conquista a mocinha, cada vez mais indecisa entre os músculos do lobisomem e o charme etéreo do vampiro.

Só depois do casamento

O pano de fundo da história é o final do ano letivo na escola de Forks. Os jovens começam a planejar a festa de formatura, o baile, o discurso que a oradora da turma fará para comover pais e mestres na cerimônia de entrega de diplomas. Alguns já recebem as cartas de admissão em faculdades. Enquanto isso, Bella tenta convencer Edward a fazer algo que ela quer... Ele, porém, afirma que só o fará depois do casamento. É um cavalheiro à moda antiga. Prefere cortejá-la na varanda a, digamos, dar vazão ao desejo carnal. Em determinada noite, o casal tem a casa toda exclusivamente si, a melodia de Clair De Lune, de Debussy, percorre os cômodos. Mas Edward mantém-se irredutível. E Bella continua 100% virgem. E mortal. A audiência vem abaixo nessa parte da trama. Ao lado da repórter do Diário do Comércio, na sala na qual ocorreu a pré-estreia do filme na última segunda-feira, sentaram-se duas adolescentes, ambas membros do fã-clube Crepúsculo. Não faltaram durante a sessão olhares lânguidos. Nessas cenas mais insinuantes, elas mal continham os gritinhos de ansiedade, ao mesmo tempo suspirando pelo romantismo do rapaz e indignadas com a regras que ele impôs à namorada.

Aos namorados que acompanham as meninas derretidas pelos galãs resta apreciar as cenas de ação, mais numerosas nesta sequência, agora com David Slade na direção. Entre seus trabalhos estão suspenses como 30 Dias de Noite e Menina Má.com. Se nos dois filmes anteriores o sangue aparecia raramente, agora jorra nas cenas dos ataques em Seatle perpetrados pelos vorazes vampiros recém-nascidos e nas lutas entre a arquivilã Victoria (Bryce Dallas Howard assume o papel) e o clã dos Cullen, eternos defensores de Bella.

Edward ganha em Eclipse uma dimensão psicológica inédita, mais elaborada. Se antes era apenas um jovem vampiro apaixonado, agora demonstra a maturidade que se espera de seus mais de cem anos de vida, entre outras coisas fazendo uma espécie de pacto com o rival Jake e sua matilha. Ponto para Robert Pattinson, que parece ter percorrido bem o caminho desde que despontou na pele de Cedrico Diggory, em Harry Potter.

Outra atriz que se sobressai, atuando por breves minutos, é Dakota Fanning, que já aparecera em Lua Nova. Na pele de Jane, membro dos Volturi, os vampiros europeus antigos (espécie de guardiões da tradição) ela fuzila com seus olhos cor de rubi e não dá chance para a canastrice.

Quarto livro gera dois filmes

Stephenie Meyer, autora da série de romances que deu origem à saga cinematográfica, deve estar rindo à toa. Tornou-se fenômeno mundial de vendas em menos de cinco anos, com livros traduzidos em 50 países e mais de 100 milhões de cópias compradas.

Quem não viu os longas anteriores tem novamente oportunidade de assisti-los em tela grande. Centenas de salas em todo o País voltam a exibir Crepúsculo (Twilight, 2008, com direção de Catherine Hardwicke), o primeiro, e Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon, 2009, de Chris Weitz). Também está confirmada a produção de outros dois longas, baseados no quarto livro. A justificativa para dividir a obra em duas partes é que haveria nela material demais e muito seria perdido se resumido em um único filme. E a bilheteria duplicada não fará mal...

A Saga Crepúsculo: Eclipse (The Twilight Saga: Eclipse, EUA, 2010, 124 minutos). Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke. Direção: David Slade.

 

 

© Copyright 2007 Diário do Comércio - Todos os direitos reservados