Crítica:
Por Jô Pasquatto

Com efeitos especiais manjados mas sem apelar ao 3-D, e intercalando cenas que simulam noticiário de TV, o longa “Distrito 9” , do diretor Neill Blomkamp, trata de um tema universal: como a convivência pacífica entre seres humanos e qualquer outra espécie é impossível. A trama se passa num futuro não muito distante, com milhares de alienígenas vivendo amontoados em barracos num gueto miserável localizado na periferia de Joanesburgo, capital da África do Sul. A presença dos “camarões”, chamados assim por causa da semelhança entre esses aliens de quase dois metros e o crustáceo, incomoda e as autoridades começam a planejar a transferência deles do local, o Distrito 9, que dá nome ao filme.

A comparação com o apartheid, o regime de segregação racial imposto à população negra sul-africana, é a primeira ideia que ocorre. Até por conta de uma grande retirada, ocorrida nos anos 70, de um real Distrito 6. A mensagem do filme, no entanto, vale para todo tipo de preconceito e de intolerância. Daí o incômodo. Escalado para chefiar a evacuação e ansioso para agradar o sogro/patrão, o tolo Wikus Van De Merve (interpretado pelo estreante Sharlto Copley), comete um erro e aspira combustível alienígena. Lentamente, Wikus se transforma em ”camarão” e passa de caçador a presa. Então, por necessidade ou impotência, o burocrata inicia a busca por um antídoto regenerador junto aos aliens, apesar de não ser aceito entre eles também .

Como todo bom filme de ficção científica de ação, “Distrito 9” tem perseguições, explosões, fugas improváveis, tensão, tiroteio, traições, sangue. Apesar da violência explícita e do óbvio conteúdo político-social presentes em praticamente todas as cenas, o filme também permite uma reflexão sobre a existência do amor, do romance e da esperança. O que não fica claro é se esses sentimentos vitais ainda são possíveis em si mesmos ou se a vida se resume à luta pela sobrevivência da espécie (e aqui se fala na duas espécies, a humana e a alienígena). Como a nave dos aliens consegue partir para o planeta de origem e o chefe promete voltar para salvar Wikus, só resta esperar e torcer pela continuação. Quem sabe em versão 3-D.

 

 
 

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