Crítica:
Por Erica Corrêa

     Durante a década de 90, Serra Leoa, na África Ocidental, viveu uma terrível guerra civil marcada por atrocidades. Esse recente conflito, cessado em 2002, é o cenário que Edward Zwick escolheu para desenvolver seu novo filme: Diamante de Sangue.

     Diretor de grandes produções como Tempo de Glória (1989), Lendas da Paixão (1994) e O Último Samurai (2003), Zwick mais uma vez se debruça sobre um tema histórico, escolhe um protagonista-astro (Leonardo DiCaprio) e esbanja tomadas com paisagens deslumbrantes para compor uma grande aventura.

     A trama aborda o comércio ilegal de diamantes – principal fonte de recursos para a compra de armas nas zonas de conflito da África e, por isso, apelidados de “diamantes de sangue”.

     A busca desenfreada para encontrar uma dessas pedras preciosas, enorme e rara, cor-de-rosa, de cem quilates e enterrada em uma aldeia é o que une os personagens Danny Acher (Leonardo DiCaprio), um mercenário do Zimbábue, Solomon Vandy (Djimon Housou), um pescador da etnia Mende e a jornalista americana Mady Bowen (Jennifer Connelly). Cada qual motivado por questões bem diferentes.

     Acher é um anti-herói. Ex-soldado, ele foi corrompido por um sistema pautado na violência e ganância dos líderes locais. O diamante, para ele, é mais do que dinheiro, é um passaporte para escapar deste mundo de terra vermelha, que ele insiste em denominar com uma sigla: T.I.A. (This is África).

     Para Solomon, o diamante é a única forma de resgatar seu filho seqüestrado pela guerrilha Frente Revolucionário Unida (RUF) e que foi transformado em uma criança-soldado. Já, a correspondente americana acredita que acompanhar esses homens é uma forma de desvendar o contrabando de diamantes no país. “Este filme é sobre o que realmente tem valor. Para um, pode ser uma pedra; para outro, uma matéria para revista; e para outro ainda, uma criança”, comenta Zwick.

     Com muita ação, o filme tem todo pique de aventura, característico do diretor. Mas, não é só isso: traz também uma contundente carga dramática em torno do tema central: a guerra. Provavelmente, o acompanhamento do documentarista Sorious Samura no set contribuiu para que a ficção se aproximasse dos fatos históricos.

     Samura foi premiado pelo documentário Cry Freetow, filmado em tempo real durante a guerra civil de Serra Leoa. Suas experiências e vivências com as crianças soldados, as vítimas de amputações e a tomada da capital pela RUF foram transportados fielmente para a tela.

     Ao ser lançado nos EUA, Diamante de Sangue alarmou as autoridades de Serra Leoa, que se declararam preocupadas com a imagem negativa que o filme poderia provocar sobre seu país. Serra Leoa tenta dar legitimidade as suas exportações de diamantes e recuperar a atividade do turismo. Mas ainda é o país com o menor índice de desenvolvimento humano (IDH) do mundo, a mais alta taxa de mortalidade infantil, e as contribuições humanitárias compõem quase metade do orçamento do governo. Dificuldades que levaram a produção a rodar o filme em Moçambique e na África do Sul.

 

 

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