Exibido
no Festival do Rio e na 30ª Mostra Internacional
de Cinema de São Paulo, no ano passado,
o filme dinamarquês Depois do Casamento,
de Susanne Bier, tornou-se mais conhecido dentre
o público brasileiro após sua indicação
ao Oscar 2007, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.
O drama, que não levou a estatueta e perdeu
para o alemão A Vida dos Outros, só agora
entra em cartaz no circuito comercial no País.
A história
começa
na Índia,
onde o dinamarquês Jacob (Mads Mikkelsen, o
vilão Le Chiffre de Casino Royale/2006, o
mais recente filme do agente James Bond) está com
dificuldades financeiras para manter aberto o orfanato
que administra. Há muito tempo vivendo na Índia,
Jacob tem um carinho especial por um dos meninos órfãos.
Um dia
ele recebe uma promessa de filantropia de um empresário
da Dinamarca mas, para acertar a possível
doação,
precisa retornar ao seu país Natal. Em Copenhague,
o poderoso empresário Jorgen (Rolf Lassgård)
instala Jacob em um requintado hotel e enquanto as
negociações
se estendem, o convida para a festa de casamento
de sua filha.
Na cerimônia
Jacob reencontra uma antiga namorada, Helene (Sidse
Babett
Knudsen/
Dogville-2003). Helene é logo
apresentada a Jacob: ela é a esposa do poderoso
Jorgen. Mas essa revelação é apenas
a ponta de um iceberg que está para emergir
na vida de todos os personagens.
A diretora
Susanne Bier desenvolveu a história
junto com o roteirista e diretor Anders Thomas Jensen,
no qual trabalhou ao lado em outras duas produções.
Seu primeiro trabalho dentro das linhas do movimento
do Dogma foi em 2002, com o filme Corações
Livres. Em, seguida produziu Brothers (2004).
Apesar
do seu sucesso na Dinamarca, falta à diretora
o talento de Lars Von Trier, o criador do movimento
ou mesmo de alguns de seus discípulos como
a escocesa Andrea Arnold (Marcas da Vida/2006).
O filme
de Susanne traz a densidade dramática
característica do Dogma, exposta em tomadas
reveladoras e closes dos personagens. Se analisado
por cenas, Depois do Casamento emociona, como os
momentos em que Jorgen se desespera ao lado de Helene,
revelando o quanto é difícil aceitar
a proximidade da morte. O mérito é da
atuação dos atores, já que com
o desenrolar do enredo a força dramática
do filme se esvazia.
Susanne
está mais
para um genérico
de Lars Von Trier, em todo seu sentido pejorativo.
A proposta de que o personagem Jacob vive um dos
dilemas mais difíceis de sua vida - escolher
entre ficar na Dinamarca ou retornar à Índia
- não se sustenta. Devido ao contexto, é difícil
de acreditar que Jacob trocaria milhões e
uma família que caíram do céu,
por um menininho órfão de um país
miserável.
Para piorar,
aos oito anos, o garotinho indiano prefere a vida
no orfanato
a
descobrir as
riquezas
da Europa. Somado aos outros dramas paralelos e revelações
da história, é de se estranhar sua
indicação ao maior prêmio cinematográfico.
Com certeza havia produções mais interessantes
para representar a categoria.