Crítica:
Por Erika Corrêa
Sexo sem compromisso, com parceiros diversos e desconhecidos. A promiscuidade da jovem Leila (Lauren Lee Smith) faz com que se sinta livre, dominadora dos homens. De certa forma, seu prazer a ampara emocionalmente.
Um dia, de uma experiência de voyeurismo, nasce uma relação mais constante. A jovem e magérrima Leila se inebria com o sarado David (Eric Balfour). A princípio os dois pombinhos vão fazer o que parece melhor saberem: muito sexo.
Sexo no parque, sexo no chão e na cama. Só que essa transa constante com o mesmo parceiro traz convivência, ou seja, um monte de brindes juntos como: família, ciúmes, tédio, dores e apego.
E quem é que disse que Leila estava preparada para assumir e viver qualquer uma dessas coisas? Tudo parecia mais estável enquanto girava em torno de um eterno gozo.
Assim Deite Comigo, do canadense Clement Virgo, destaca a questão do sexo casual entre jovens e suas dificuldades de enfrentar um envolvimento e consolidar um relacionamento.
Desse tema patente, onde sexo é comunicação juvenil, nada de original. O que é um pouco mais novo, digamos, é que a narrativa é sempre conduzida pelo desejo e erotismo de Leila. É a mulher que não se apega, é ela que tem dificuldades em enfrentar as carências masculinas, assim como é ela que comanda a hora em que o homem pode ou deve “gozar”.
Baseado no romance de Tâmara Faith Berger, esposa do diretor, Deite Comigo também traz em seu título original (Lie With Me) um duplo sentido. Tanto pode significar deitar como “Minta comigo”.
O tipo de relação construída entre os protagonistas é a de uma mentira, calcada no prazer, e em que a afeição deve ser escondida ou reprimida. Só que dispensar o afeto e os vínculos, como se o sexo fosse uma diversão inconseqüente, pode ser perigoso.
Mas não espere um grande desfecho ou grandes tramas do filme. Na verdade, Deite Comigo é raso. Sua abordagem pode até acompanhar as mudanças dos paradigmas da sociedade, mas não chega a propor reflexões importantes acerca do relacionamento.
Está muito mais próximo de filmes como 9 Canções/2004 do inglês Michael Winterbottom, que mostrava um amor pop repleto de cenas calientes, do que algo como nos revelou Bertolucci com Último Tango em Paris ou mesmo Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima.
Há cenas de sexo explícito sim, nada chocante e vulgar. Nada inovador e de suspirar. Apenas dois belos atores em boa atuação.