Por Lúcia Helena de Camargo
Nada de sangue escorrendo pelo lado da boca, dentes pontudos e seres soturnos dormindo dentro de caixões. Crepúsculo, que estréia nesta sexta (19), é um filme de vampiros diferente. O foco está no romance adolescente entre Isabella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson), ambos de 17 anos. Ela, menina recém-chegada do Arizona à nublada cidade de Forks, vai morar com o pai, o xerife local, em razão de um novo casamento da mãe.
Bella – como prefere ser chamada – faz amigos com facilidade, mas fica fascinada justamente (como tem que ser) pelo garoto mais estranho que vê. Edward (o Cedrico Diggory na série Harry Potter) é dotado de beleza impecável, quase artificial. A menina também não é das mais normais e festeiras, como seria adequado à sua idade.
Prefere procurar livros antigos na biblioteca a comprar vestidos com as amigas. Não chega a enquadrar-se no clichê da esquisitona à la Carrie, a Estranha, mas aceita com espantosa naturalidade o fato de seu namorado ser um vampiro e ter centenas de anos.
O sangue da menina atrai Edward como uma droga a um viciado. E o interessante é o sobressalto de descobrir, cena a cena, se ele vai tratá-la como namorada ou como refeição... Há uma particularidade sobre o rapaz e sua família (que não convém revelar) que o torna menos letal em certa circunstância. Porém, um grupo de vampiros bem menos nobres vai se interessar também pelo líquido vermelho que corre nas veias de Bella.
E então se tem motivo para perseguição, fuga e algumas demonstrações daquilo que se espera de vampiros à moda antiga. Mas tudo em meio à história de amor. Vale tudo para dar o clima. Neblina, olhares furtivos, música adequada. Em uma das cenas mais significativas, o casal dança ao som de Clair de Lune, do francês Claude Debussy (1862-1918).
O filme estreou nos EUA estourando as bilheterias. Pagou os custos de produção no primeiro final de semana, arrecadando mais de US$ 70 milhões. No país que adora recordes, divulgou-se que esta foi a maior estréia nas bilheterias de um filme dirigido por uma mulher, em toda a história do cinema.
O fenômeno começou com Crepúsculo, romance de estréia de Stephanie Meyer, no qual o longa foi baseado. Sucesso de vendas, ficou mais de um ano no primeiro lugar na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times. Nos EUA, já saíram três seqüências da história. No Brasil, pode-se comprar apenas o primeiro livro, da editora Intrínseca.
Mas se a trilha americana for seguida, certamente serão lançados os demais. O que agradou aos adolescentes é o tom intimista. E isso é mantido no filme, com Bella narrando a saga em primeira pessoa. Feito sob medida para agradar aos jovens, em especial do sexo feminino.