Crítica:
Por Erika Corrêa
Exemplo de beleza feminina, a atriz Michelle Pfeiffer continua emplacando em Hollywood com seus incríveis 51 anos de idade. No ano passado, interpretou uma mulher que se envolvia com um garoto muito mais novo no filme Por Amor (2009). Lindíssima como sempre, provou que não era tarefa nada difícil um jovem bem mais novo se apaixonar por ela. Agora, logo em seguida, faz novamente o papel de uma mulher madura que tem um relacionamento com um jovem, no filme Cheri (2010).
Adaptação do livro honomino da escritora francesa Colette (1873-1954), o filme conta a história da cortesã Léa de Lonval (Michelle) e seu romance com Chéri (Rupert Friend), filho de uma antiga cortesã rival, no período da Belle Époque.
Logo na introdução, um narrador explica um pouco sobre o mundo das famosas cortesãs de Paris do século XIX. Conhecidas pela beleza e esperteza, essas mulheres se relacionavam com homens poderosos do governo, da realeza e das artes, influenciavam a moda, e viviam estilos de vida extravagantes, ostentando as riquezas adquiridas dos seus amantes.
Só que Léa está prestes a completar a meia idade e, numa “carreira” como essa, é hora de se aposentar. Em uma tarde é convidada pela antiga rival e agora amiga Madame Peloux (Kathy Bates) para um chá. Madame Peloux está preocupada com seu filho de 19 anos, que vive em noitadas, regadas a bebidas e orgias.
Para ajudar à amiga, Léa leva o garoto para passar uma temporada em sua propriedade na Normandia. O mimado Cherí, cheio de trejeitos efeminados, acaba por se envolver com Léa e vice-versa. As férias se estendem a um relacionamento de seis anos, que virá somente a se dissolver quando Peloux arrumar uma nova noiva para o filho, de sua idade.
Dirigido por Stephen Frears (A Rainha, Ligações Perigosas), o filme vai discorrer a partir daí, sobre as difícies relações amorosas, principalmente quando são tratadas como moedas de troca. Apesar de muitas semelhanças com Ligações Perigosas: o mesmo roteirista Christopher Hampton, tema semelhante, e também de época, Cherri é bem mais simples e muito menos elaborado que o outro. Deixa a impressão que faltou alguma coisa no enredo. Quem preferir, acaba de sair a reedição do livro, feita sobre uma antiga tradução de José Saramago.