Crítica:
Por Lúcia Helena de Camargo
Um belo animal com muita personalidade e seu dono, jovem de caráter impecável, são separados por contingências trazidas pela guerra. Eis os elementos perfeitos para uma história sob direção do americano Steven Spielberg. Adaptação do livro homônimo lançado em 1982 pelo escritor inglês Michael Morpurgo, Cavalo de Guerra, conta a saga de Albert (Jeremy Irvine), rapaz pobre do interior da Inglaterra que tem em seu cavalo Joey o amigo mais fiel. Mas o equino é vendido para a cavalaria, e enviado às trincheiras da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Desse ponto em diante, prepare-se para sofrer.
Os cavalos que trabalham na frente de batalha não possuem vida fácil. Os mais afortunados servem de montaria a oficiais. A maioria, porém, puxa pesados canhões e outras máquinas bélicas, até cair pela mais completa exaustão. Este lado sombrio é retratado no filme como se ocorrido apenas do lado alemão do combate. Seja como for, Spielberg não perdoa. E segue preparando as conhecidas armadilhas para levar o espectador às lágrimas. Quem gosta de animais e entende o íntimo vínculo que pode existir entre a criatura e seu dono, não passará incólume.
Em sua jornada extraordinária, o cavalo Joey enfrentará a guerra com tenacidade, de ambos os lados do embate, passando inclusive por uma bucólica fazenda francesa, onde será querido por uma garota. Vai continuar, se machucar... E ser o protagonista absoluto da cena mais singela (e ao mesmo tempo cômica): quando supostos inimigos se empenham em ajudá-lo, na situação sobre a qual não diremos mais nada, para que você possa também se emocionar.
Todo mundo fala inglês
Spielberg não é Mel Gibson, é verdade. Em nome do perfeccionismo histórico e linguístico, Gibson fez os personagens se comunicarem em aramaico e hebraico no filme Paixão de Cristo, já que esses eram os idiomas falados à época de Jesus. Em Cavalo de Guerra, talvez você se incomode quando os alemães começarem a conversar entre si em inglês, assim como os franceses, nos dois casos carregando o sotaque, para deixar claro que, na verdade, estão falando na língua deles. Mas sem sujeitar os espectadores americanos a legendas...
Com ou sem acuidade no quesito idioma, Cavalo de Guerra é entretenimento de qualidade. Ótimo para assistir num dia destas férias de verão. Os atores – animais e humanos – convencem. As paisagens exibidas são maravilhosas e até quem gosta de ver batalhas à moda antiga (lembre-se falamos de Primeira Guerra Mundial) poderá apreciar os combates no estilo corpo a corpo com uso de espadas ou artefatos como canhões, granadas e metralhadoras leves.
O longa foi indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme e Melhor Trilha Sonora. A trilha marca mais uma parceria entre o diretor e o premiadíssimo maestro John Williams, que criou temas emblemáticos, como ET - O Extraterrestre, a série de filmes Star Wars e Tubarão.
Cavalo de Guerra (War Horse, Estados Unidos e Índia, 2011, 146 minutos). Direção: Steven Spielberg. Com Jeremy Irvine, Tom Hiddleston, Emily Watson, Johnny Harris, Eddie Marsan, Peter Mullan, David Dencik, David Kross, Geoff Bell, Robert Emms.