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Em sua estréia como diretor, o cineasta romeno Horatiu Malaele utiliza um recurso convencional, o do filme dentro do filme, para contar a história de uma vila isolada na Romênia atual que recebe uma equipe que pretende filmar um documentário sobre ela. O recurso é bem utilizado e, ao voltar no tempo para relatar o casamento de um de seus moradores, apresenta um relato sensível sobre a vida desses personagens.
Casamento Silencioso é filmado de maneira convencional, mas equilibra passagens cômicas e doces durante as sequências da festa que é celebrada silenciosamente por imposição dos soviéticos, já que Josef Stalin acabara de morrer e um período de luto de uma semana foi decretado. Nesse período, festas e cerimônias de falecimentos não podiam ser realizadas. A saída para a população do vilarejo é fazer tudo em silêncio. As tentativas são hilárias e concentram as sequências mais engraçadas e líricas do filme. A refeição especial evoca imediatamente outra fita, A Festa de Babette, quando os personagens comem fartamente e obtêm um momento de prazer em uma vida cheia de restrições e dificuldades impostas pelo regime soviético. A chegada do circo e a apresentação de sua trupe confere um clima saudosista à história, mas a chegada de um tanque russo abala a todos.
Num primeiro momento, todos parecem caricatos, mas à medida que a história se desenvolve seus traços são melhor delineados. Os momentos cômicos mais destacados acontecem durante o banquete, quando os talheres são abolidos e os copos revestidos com guardanapos e panos para diminuir o barulho. Todas estas sequências lembram um pouco outro cineasta, o sérvio Emir Kusturica, que dirigiu Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios. Por isso, é preciso esperar para saber se Malaele conseguirá obter no cinema o mesmo êxito que alcançou como ator e autor teatral. |