Crítica:
Por Rita Alves

     Uma história repleta de drogas, roubos, mortes e relacionamentos conturbados. A sensação de "já vi esse filme antes" pode ser a primeira que vem à cabeça, mas ao assistir ao longa-metragem Candy , o expectador percebe que temas conhecidos ainda podem dar origem a grandes filmes. Foi o que fez o diretor Neil Armfield ao criar uma história de amor à beira do abismo. A origem de Candy vem de um premiado livro australiano de mesmo título, escrito por Luke Davies.

     Da Austrália também são os atores Heath Ledger ( O Segredo de Brokeback Mountain ) e Abbie Cornish, atriz ainda desconhecida no Brasil, escolhidos para estrelar a trama. Na tela, a sintonia do casal mostra que a opção não poderia ter sido outra. Os dois convencem.

     Abbie interpreta Candy, uma jovem e talentosa pintora. O versátil Heath vive Dan, um promissor poeta ocasional. Juntos eles cultivam o amor e o vício pelas drogas. Candy, Dan e a heroína formam um trio fatal. O casal é capaz de levar a vida na brincadeira, mesmo à sombra permanente do perigo. Para manter a dependência química, pequenos furtos, penhora de jóias de estimação e empréstimos da família são a solução.

     Quando os dois pensam que a felicidade é eterna, o dinheiro para manter o vício some. Dan pede ajuda ao professor Casper (Geoffrey Rush), seu mentor e confidente. Candy, com o aval do namorado, começa a se prostituir. E antes que tudo vá por água abaixo ambos renovam seus votos de amor e resolvem se casar. Contagiados pelo clima de aparente harmonia a dupla troca entre si promessas de felicidade eterna e, assim como em conversas anteriores, o abandono das drogas.

     No dia do casamento, os pais de Candy assistem à união dos jovens com um olhar desconfiado, quase prevendo o inferno que está por chegar. Na festa, os noivos fazem revezamento. Enquanto um conversa com os convidados o outro alimenta o vício trancado no banheiro. Como diz Dan em uma das narrações em off, "o mundo é muito confuso para um viciado".

     Sob o mesmo teto novos conflitos surgem a cada dia e os antigos parecem ganhar força. Aluguel atrasado, brigas, falta de dinheiro e de heroína recheiam o inferno disfarçado de casamento. Dan ainda conta com a ajuda do velho amigo Casper. O relacionamento de Candy com seus pais chega ao limite.

     A partir de então, a trama ganha mais força. A mistura de angústia e esperança latentes que permeia a história de amor de Candy e Dan contagia quem está diante da tela. Trilha sonora, interpretações intensas e o amor incondicional de um jovem casal fazem de Candy um filme imperdível.

 

 

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