Crítica:
Por Erika Corrêa

       Festas descoladas com som eletrônico e DJs internacionalmente conhecidos fizeram parte do circuito do diretor judeu Eytan Fox em sua visita a São Paulo, na última semana. Ele veio para o 11 º Festival de Cinema Judaico, no qual foi homenageado e ainda apresentou seu último longa Bubble, agora no circuito comercial.

       Moderninho, assumidamente gay, Fox ganhou fãs em Israel e se tornou bem conhecido ao dirigir por dez anos o seriado de televisão Florentine, que retratava o cotidiano de um grupo de jovens de Tel-aviv. Seu filme No Limite/2004 também foi o que mais faturou no País.

       Aqui a produção Delicada Relação/2002, em que retrata um amor gay entre dois soldados israelenses em zona de conflito, é a mais conhecida. Em Bubble, Fox reuniu os dois motes de sucesso anteriores em uma só história, e mostra tanto a cultura e a vida de jovens de Tel-aviv como retoma a um amor gay.

      Só que desta vez o casal protagonista é ainda mais polêmico, já que se trata do amor entre um israelita e um palestino. Bubble estreou poucas semanas em Israel antes do início da guerra contra o Hezbollah. Quando os combates começaram, em julho, a maioria dos cinemas tirou o filme de cartaz.

      A abordagem dos conflitos entre judeus e palestinos não é novidade, mas Eytan Fox vai além quando traça a diferença cultural gritante entre regiões vizinhas. A homossexualidade no mundo árabe é tabu e contrasta com o mundo aberto de Israel. Todavia Eytan não faz panfletagem sobre o tema. Até porque o próprio nome do filme, Bolha, em português, é o apelido dado a Tel-aviv, uma crítica a cidade por viver fechada e alheia aos problemas do País e do Mundo.

      Assim três jovens dividem um apartamento na Rua Shenkin, no quarteirão alternativo de Tel-aviv. Noam (Ohad Knoller) é vendedor de uma loja de CDS, Yeli, (Alon Friedman) gerente de Café, e Lulu (Daniela Virtzer), vendedora em uma loja de cosméticos. Durante um acidente em um posto controle de Naplouse, em que Noan presta serviço militar obrigatório, conhece o palestino Ashraf.

      O árabe decide procurar Noan em Tel-aviv e ambos se apaixonam. É então que o trio resolve abrigar clandestinamente o palestino em seu apartamento e lhe dar um nome hebraico. Festas, raves e muita diversão vivem os personagens, até que a verdadeira identidade de Ashraf começa a ser descoberta.
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      As cenas de sexo são fortes. Nada de pornografia explícita, mas algo como o que Ang Lee conseguiu em seu BrokeBack Mountain, com a força da dramaticidade e emoção das cenas. Pode ser que um hetero de carteirinha na sala de cinema palpite que há excessos. Tudo bem, mas vale frisar que Bubble não é filme específico de Mix Festival. Sua história ultrapassa a temática da condição sexual.

      A festa rave que os garotos organizam na praia com fins pacifistas, reúne alguns gatos-pingados que enlouquecem com a pílula da moda do eletrônico, o êxtase. Ai também está o retrato da atual juventude, sem ferramentas e preparo para contestação.

      Outro destaque da fita é a trilha sonora. A música tema The Man I Love, clássico do jazz eternizado nas vozes de Billie Hollyday e Ella Fitzgerald, é interpretada pelo cantor pop israelita Ivri Lider. E ainda há uma reunião de cantores pops moderninhos espalhados no mundo, como a francesa Keren Ann, o inglês Loyd Cole, a banda novaiorquina Nada Surf, a brasileira Bebel Gilberto, dentre outros.

 

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