Crítica:
Por Erika Corrêa

Histórias sobre envelhecimento precoce ou eterna juventude sempre trafegaram pelo gênero fantástico do cinema e a lista de títulos é enorme. A ficção científica Cocoon (Ron Howard/1985), por exemplo, mostrou velhinhos que se banhavam em uma piscina cheia de casulos alienígenas e rejuvenesciam; em A Morte lhe Cai Bem (Robert Zemeckis/1992), Merly Streep recorreu a uma poção que garantia eterna juventude e se tronou uma morta-viva; em Duas Vidas (Jon Turteltaub /2000) Bruce Willis passou por uma regressão fantástica e se encontrou com ele mesmo, aos oito anos de idade.

O Retrato de Dorian Gray (Albert Lewin/1945) trouxe ás telas o personagem do romance de Oscar Wilde, que por meio de um pacto macabro parou de envelhecer e as marcas do tempo só apareciam em seu retrato.

Agora é a vez do O Curioso Caso de Benjamin Button, filme baseado no romance homônimo de F. Scott Fitzgerald, mostrar o fantástico personagem que nasce velho e vai gradativamente se tomando mais jovem até virar novamente um bebê.

Com cinco indicações ao Globo de Ouro, incluindo melhor filme dramático, O Curioso Caso de Benjamin Button não ganhou nenhum troféu. No entanto, promete boa bilheteria já que tem o astro e galã Brad Pitt no papel principal e direção do competente David Fincher que já fez sucessos como Seven (1995) e Clube da Luta (1999) também com Pitt como protagonista.   

No final da primeira Guerra Mundial, o empresário de botões Thomas Button é acometido pela trágica morte de sua esposa após parir um nenê todo defeituoso e enrugado. Ele, então, abandona a criança na porta de um asilo, comandado por Queenie (Taraj P. Henson), uma negra bondosa que acredita não poder ter filhos e assim adota a estranha criança.

Benjamin, como é batizado, cresce no asilo, e como sua aparência é semelhante a dos outros velhinhos do local, passa a viver como se fosse um deles. Todavia, à medida que o tempo passa, Benjamin vai rejuvenescendo e se diferenciando.  

Com narração semelhante ao filme Forrest Gump (1994), que mistura fatos históricos com os acontecimentos pessoais do personagem (o roteirista Eric Roth é o mesmo) o espectador vai conhecendo os dramas e felicidade dessa estranha criatura. O ápice da trama é sua paixão pela bailarina Daisy (Cate Blanchett) e a diferença entre a idade deles que a cada dia aumenta.

Para aceitar o papel, o ator Brad Pitt exigiu interpretá-lo do início ao fim da história. “Todos estavam mais do que curiosos para saber como faríamos isso. Eu disse: não sei, mas vamos descobrir”, contou o diretor Fincher.

A solução foi recorrer à computação gráfica para criar um Pitt velhinho. O resultado é ótimo, apesar de que ver Pitt sem efeitos especiais quando representa a idade que tem de verdade é bem melhor.  

O filme tem algumas soluções nada criativas, o que talvez tenha desagradado a crítica internacional na hora da votação no Globo de Ouro. Uma delas é a velha fórmula em que a moribunda Daisy conta a história de Benjamin à filha: “no leito do hospital as revelações são lidas no diário secreto”.  Tomates Verdes Fritos (Jon Avnet/1991) fez o “vai-vem revelações de hospital” de forma muito mais inventiva.  

Para piorar, o filme cita a chegada do katrina em seu presente. O furacão que arrasou a cidade de New Orleans, em 2005, não tem relevância na trama. Apesar de a história passar na mesma cidade, ela termina antes da tragédia. A notícia da chegada do katrina fica forçada e pura “citação”. Vale lembrar que a obra foi escrita em 1929, muito antes do episódio. Talvez fosse o caso do diretor se debruçar a inundação de 1927 do rio Mississipi, que corta a cidade, e também arrasou a população.

 

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