Crítica:
Por Lúcia Helena de Camargo

     Batman nunca foi dos heróis mais ortodoxos, sabem todos que acompanham suas histórias. Ele combate o crime em Gotham City, é verdade, mas continua enfrentando seus demônios particulares. Muitas vezes é perseguido pela própria polícia que ajuda. Porém, todos os filmes já feitos sobre o homem-morcego seguiram o padrão Hollywood de ressaltar suas qualidades e seu “lado bom”. Mas algo inédito e ousado aparece na mais recente produção, Batman – O Cavaleiro das Trevas, que estréia nesta sexta (18): além de assumir como nunca sua faceta humana e falível, vê-se definido, em um momento crítico, a apenas um complemento necessário à existência do Coringa.

Oscar póstumo - Não que a atuação de Christian Bale (Batman Begins; O Grande Truque) deixe a desejar. Longe disso. Ele está 100% convincente na pele de Bruce Wayne/Batman, mas o vilão incorporado por Heath Ledger de fato chama para si todas as atenções quando aparece em cena. Não são exagerados nenhum dos elogios já feitos à sua assombrosa interpretação. O ator, morto em janeiro, aos 28 anos, em razão de uma overdose acidental de remédios, ficou mundialmente conhecido como um dos cowboys gays de O Segredo de Brokeback Mountain.

Agora, com seu Coringa insano e amedrontador, corre o risco de ganhar um Oscar póstumo. O vilão maquiado e bizarro conta a cada interlocutor uma versão diferente sobre a maneira como ganhou as horrendas cicatrizes ao redor da boca, confessa seu gosto por explodir coisas, rejeita dinheiro e poder. Quais são seus motivos? Não se sabe. E resume-se: "Sou um agente do caos." Note que no original em inglês – The Dark Knight – o nome de Batman nem aparece no título.

O atual longa revela-se o melhor filme já feito sobre o personagem criado por Bob Kane em 1939. Dirigido pelo mesmo Christopher Nolan de Batman Begins, tem no elenco seu ponto mais forte. Conta com o ótimo Michael Caine como Alfred, mordono, confidente e faz-tudo na mansão Wayne; Gary Oldman é o correto comissário de polícia Jim Gordon; Morgan Freeman, o confiável Lucius Fox e Aaron Eckhart surpreende no papel do promotor público Harvey Dent. E ficou a cargo de Maggie Gyllenhaal representar Rachel Dawes, amiga de infância de Bruce Wayne que ganha mais importância nesta fase da trama.

Para rechear a ação, há as magníficas traquitanas tecnológicas desenvolvidas na bat-caverna, perseguições com versões diferentes de bat-veículos, explosões, tiroteios. E mais explosões. Tudo, felizmente, sem desarmar a bomba do drama psicológico que segue paralelo.

Pegando carona no lançamento do longa chega às lojas o DVD Batman: O Cavaleiro de Gotham, que traz seis episódios no formato animê, cada um com um roteirista e diretor diferente. As histórias preenchem lacunas não reveladas na transposição dos quadrinhos para as telas entre os filmes Batman Begins e Cavaleiro das Trevas, trazendo vilões como Espantalho, Killer Croc e o Pistoleiro.

 

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