Crítica:
Por Lúcia Helena de Camargo

Dirija-se até um cinema. Se possível, vá a pé. Assim você cuida da saúde física e mental. Além de caminhar, livra-se do estresse provocado pelo trânsito e pela disputa de vagas no estacionamento. Fique na fila. Peça o ingresso para o filme Avatar. Em algumas salas, como a Imax, poderá escolher o lugar no qual sentará. Dica: as cadeiras das fileiras do meio são as de melhor visualização para as cenas em três dimensões, grande atração do longa metragem. Longo mesmo. São duas horas e 46 minutos de projeção. Mas talvez o filme também ajude a atenuar o estresse. Não pense demais. E embarque. É boa diversão. Não à toa concorre a oito Globos de Ouro.

A história acontece no ano de 2154, em Pandora, satélite dentro do sistema estelar Alfa Centauri-A, distante 4,4 anos-luz da Terra. Chega Jake Sully (Sam Worthington), ex-fuzileiro naval atualmente em cadeira de rodas, que assume o posto "piloto" de avatar. Deitado uma câmara, comanda, com a mente, as ações de seu avatar. Os avatares são híbridos de humanos e nativos, com aparência destes: esguios seres de pele azul e 3,5 metros de altura – criados na tela com uso dos mais novos recursos de computação gráfica.

Cientistas, militares e operários estão em Pandora por uma razão: energia. O satélite é rico em unobtainium (cujo nome é um trocadilho com a dificuldade de obtê-lo), mineral que poderá solucionar os problemas energéticos. A Administração de Desenvolvimento e Recursos (RDA na sigla em inglês), grande corporação que investiu bilhões para construir a base de exploração, não consegue chegar ao alvo, pois a reserva fica dentro do território do povo Na'vi, habitantes de Pandora há milhares de anos.

O avatar de Sully é jogado nesse mundo com a missão de obter informações estratégicas. E encontrará Neytiri (Zöe Saldana), esperta filha do chefe da tribo que mostra ao soldado desajeitado os atrativos e perigos da selva. O 3D é particularmente interessante nessa parte. James Cameron (Titanic; O Exterminador do Futuro), que fez roteiro e dirigiu o filme, esmerou-se em cada detalhe das plantas e animais que só existem na imaginação, e na exuberância da floresta, dentro da qual ficam as inusitadas montanhas flutuantes. Amantes da informática devem apreciar ainda a analogia da grande rede neural que interliga todos os seres à inteligência central da natureza. E as caudas – cabos conectores? – que os unem às outras criaturas.

Sigourney Weaver vive a cientista Grace Augustine, cujo interesse é estudar a região e seus habitantes. Ela segue batendo de frente com o grupo de militares e capitalistas caricatos, como Parker Selfridge (Giovanni Ribsi), que em determinado momento diz: "Uma coisa que os acionistas detestam mais do que a má imprensa é um balanço trimestral ruim". Dá-se, então, o embate entre conquistadores e aqueles que querem preservar a vida como sempre foi. Pode-se enxergar uma metáfora de outros conflitos nos quais os Estados Unidos já entraram ou apenas a trama ancestral dos oprimidos contra opressores. Segue, afinal, uma fórmula conhecida. Ao final da aventura, Cameron resolve a questão quase sem cair no melodrama. Não importa. Com todas as fantásticas imagens, quem precisa de argumento original? (LHC)

Avatar (Avatar, EUA, 2009, 166 minutos). Direção e roteiro: James Cameron. Com Sam Worthington, Zöe Saldana, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez.

 

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