Crítica:
Por Lúcia Helena de Camargo
Austrália, novo filme dirigido por Baz Luhrmann (Moulin Rouge - Amor em Vermelho) foi a mais cara produção cinematográfica da história do país (custou US$ 130 milhões) e traz nos papéis principais atores australianos, para dar mais legitimidade à trama. Estreou em novembro por lá e e nos Estados Unidos. Não foi muito bem recebido pela crítica e nem pelo público.
O longa – com duas horas e 45 minutos de duração – é um épico romântico à la ...E o Vento Levou. Conta a história de Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman), aristocrata inglesa que viaja para a pequena cidade australiana de Darwin para encontrar o marido. Tudo dá errado e ela conhece um boiadeiro (Hugh Jackman) rude, másculo, profundo conhecedor da área em que fica a decadente fazenda Faraway Downs, na qual ela se instala.
No pano de fundo, a guerra. Correm os anos de 1940. E a moça vai enfrentar ainda dois problemas. O primeiro é cuidar do órfão Nullah (Brandon Walters), menino filho de uma aborígene e um homem branco. O seguinte será levar 1.500 cabeças de gado através do árido território até o navio no qual será transportada a carga.
Como convém, o boiadeiro ajuda. Ela se revelará menos dondoca do que parecia inicialmente. E ele, menos brutamontes. Em meio a distâncias quase intransponíveis, verdades ocultas, ambição desmedida (dos vilões, como Neil Fletcher, vivido por David Wenham) e grandes atos de coragem, o romance toma ritmo, o tom épico revela-se nas tomadas que exibem a paisagem a perder de vista. Há toques de mágica aborígene para ajudar na travessia.
A apresentadora de TV americana Oprah Winfrey disse que Austrália foi "o melhor filme que vi em muito, muito, muito, muito tempo". Não chegamos a tanto, pois há lugares-comuns, convém lembrar. Porém, o roteiro é construído de maneira a enredar o espectador que se deixar levar pela história sem questionar demais, como numa grande sessão da tarde, quando se quer é assistir a um filme envolvente, com aventura e um casal de protagonistas belíssimos.