Crítica:
Por Erika Corrêa
Para os cinéfilos ou mesmo os espectadores menos assíduos é unânime que Robert De Niro e Al Pacino são grandes astros do cinema. Com uma vasta carreira, ambos são idolatrados em Hollywood e mundo afora. E com justiça: já interpretaram papéis tão memoráveis que eternizaram personagens como Tony Montana, em Scarface (Pacino) e Jake LaMotta, em Touro Indomável (Bob), dentre tantos outros.
Todavia, desde o início de suas carreiras há mais de 30 anos, só estiveram juntos contracenando em dois filmes. A primeira vez foi em 1974, quando atuaram em O Poderoso Chefão – Parte 2, de Francis Ford Coppola, mas não dividiram a tela em nenhum momento. Já, em Fogo contra Fogo, de Michael Mann interpretaram adversários e só apareceram juntos em duas cenas, num filme de três horas de duração.
Muito se esperou para ver os dois gigantes lado a lado. Imagina, então, como parceiros em um thriller policial? É isso que o diretor Jon Avnet (Tomates Verdes Fritos) traz em seu novo filme, As Duas Faces da Lei.
Al Pacino e Robert De Niro são os detetives veteranos Rooster e Turk, respectivamente, do Departamento de Polícia de Nova York. Eles estão prestes a se aposentar, e uma das suas últimas missões é descobrir quem é o serial Killer, que deixa poemas junto de suas vítimas, justificando cada assassinato.
O problema é que a investigação começa a apontar para um possível autor dentro da própria corporação policial. Assim outra dupla de detetives entra na parada: Perez (John Leguizamo) e Riley (Donie Wahlberg), além da bela oficial do departamento de inteligência Karen Corelli (Carla Gugino), que mantém um caso amoroso com Turk.
Todos passam a desconfiar de todos, e o filme como a maioria dos thrillers do gênero, tem em torno de seu suspense a reviravolta para a descoberta de quem é o tal assassino.
O roteiro de Russell Gewirtz (Plano Perfeito/2006) já estava pronto, quando o diretor se interessou em filmá-lo: “Quando o roteiro foi parar nas mãos de Jon Avnet e depois nas de Bob De Niro soube que tínhamos um filme”, contou Gewirtz. “E quando Al Pacino entrou para o projeto concluí que tínhamos um evento!”, completou.
Sim, é um verdadeiro evento pelo qual se esperou mais de três décadas mas, infelizmente, o enredo, a trama e o desfecho são tão fracos que podem tornar o filme apenas um consumo imediato, caindo logo no esquecimento do público.
Um ponto positivo é a forma como os dois atores desenvolvem suas decepções e vícios adquiridos pelos anos de serviço, como tivessem realmente absorvido o violento meio policial, e criado uma personalidade característica desse mundo. O mérito pode ser da produção também, que contratou o ex-detetive da polícia de Nova York, Neil Carter, que serviu a organização por 24 anos antes de se tornar um consultor para filmes e televisão.
No elenco ainda estão o rapper Curtis ’50 Cent’ Jackson e o skatista Rob Dyrdek, que fazem alguns dos bandidos caçados. “Foi difícil descrever o que eu senti desde que fiquei sabendo que ia estaria num filme com dois dos maiores atores vivos até eu chegar ao set de filmagens” comentou Dyrdek. “Lá estava eu, deitado com um ferimento de bala na minha testa. Eu me senti como se estivesse numa praia e De Niro e Pacino eram Deus, falando de um lado pro outro”.
Agora resta saber quando esses dois “deuses” se encontrarão nas telas novamente, lado-a lado, torcer para que não demore tanto e, principalmente, que ganhem um filme à altura.