Crítica:
Por Erika Corrêa

     Arte, cultura e muita agitação noturna: esta é Dublin, a capital da Irlanda. A cidade mais jovem do mundo lançou diversos grupos musicais no cenário mundial. De lá vem U2, The Corrs, Van Morrison e por que não falar do The Frames, uma das bandas mais populares da atualidade no país. Com canções que misturam um pop-rock tingido de folk, a banda chegou em seu sexto álbum. Mas foi o álbum solo do vocalista Glen Hansard “The Swell Season”, gravado em 2006 ao lado da pianista theca Marketa Irglova, que ganhou fama em outros cantos do mundo.

A razão é que o álbum caiu nas graças do cineasta John Carney, que decidiu usar a trilha como pano de fundo de uma história de amor passada nas ruas de Dublin.”Eu queria fazer algo que se apoiasse menos no roteiro convencional, algo que fosse um pouco mais orgânico e incluísse muitas canções. Esse foi o ponto de partida original”, explica Carney.

Assim, o casal protagonista escolhido foi exatamente Glen Hansard e a theca Irglova. Ele interpreta um músico de rua, que toca por alguns trocados e durante a noite arrisca suas próprias composições em um violão todo quebrado. Ela vende flores também na rua e no intervalo do almoço toca piano em uma loja que vende o instrumento.
Um dia se conhecem e ali nasce uma grande amizade, que acabará por lançar, juntos, uma fita demo das canções de Hansard. Simples e emocionante, como são as músicas apresentadas com pequeno tom melancólico é história.

Hansard já atuou em outro musical, The Comminments, de Alan Parker, filme delicioso sobre quem faz e vive música. Apenas uma Vez, bebe da mesma fonte: jovens comuns e talentosos que sem pretensão do sucesso a qualquer preço fazem ali o que gostam e sabem fazer.
Aqui ainda há mais simplicidade na vida dos jovens. Ele mora com o pai que tem uma pequena lojinha que conserta aspiradores. Ela é uma imigrante theca e divide um pequeno espaço com a mãe e sua filhinha. Nesta vida sem confortos e ambições, sobressai a singeleza do amor e os problemas mais díspares de relacionamento.

A diferença cultural européia com o consumismo tecnológico da América é, sutilmente, exposta ao longo da fita. Apesar do personagem de Handson escrever suas composições em um lap top, ele usa um gravador da era do vovô para gravar as músicas. No prédio em que vive a personagem de Irglova há apenas uma televisão, e que comunitariamente os moradores se reúnem para assistir a um seriado.

A música tema do filme “Falling Slowly” foi vencedora do Oscar deste ano. Sem dúvida Apenas Uma Vez é um programão para quem gosta de cinema e também de boa música.

 

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