Crítica:
Por Erika Corrêa

Não é de hoje que George Clooney declara à imprensa sua aversão ao casamento. O ator, de 48 anos, frisou diversas vezes que não pretende assumir a responsabilidade de ter uma família e filhos. Talvez seja por esse motivo que ele interpreta tão bem o personagem Ryan Bingham, um solteiro convicto, que passa quase o ano inteiro viajando.

Provável indicado ao Oscar na categoria Melhor Ator pelo filme Amor sem Escalas, Clooney protagoniza um homem bem sucedido profissionalmente, uma espécie de consultor em uma grande corporação, que tem como função principal demitir funcionários para cortar gastos nas empresas. Para tanto, vive mais tempo dentro de aviões e quartos de hotéis e adora esse estilo de vida seminômade.

Além disso, ele dá palestras motivacionais: usa uma mochila como metáfora para mostrar o quanto é inútil carregar tantas coisas, e provar o quanto “o peso” pode atrapalhar na hora da competitividade do mercado. Nada mais atual, se considerarmos o número de publicações e gurus de auto-ajuda que os EUA disseminam a cada minuto.

Quanto a relacionamentos sérios? Nem pensar, afinal, Ryan não agüenta nem mesmo o vínculo com sua própria família.

Vencedor no último Globo de Ouro, na categoria de Melhor Roteiro, o filme do diretor Jason Reitman (Juno) foi baseado no livro de Walter Kirn e é uma agradável comédia, com pitadas de drama.

A trama começa a esquentar, quando aparece uma garota de 23 anos na empresa, com idéias modernas que ameaçam o estilo de vida Ryan. Na era da internet, Natalie (Anna Kendrick, da saga Crepúsculo) propõe que o trabalho realizado por Ryan seja feito pela rede de computadores, online, sem que ele precise viajar o tempo todo. Ainda para deixar tudo mais confuso em sua vida, ele acaba se envolvendo com uma mulher (Vera Farmiga) que tem uma rotina muito parecida com a sua.

Com ótimas piadas, Amor sem Escalas também aborda a dramática questão da perda do emprego e da instabilidade econômica. Ainda espreita a informatização e suas conseqüências, sem muita apologia, mas como processo inevitável do mundo de hoje. E o melhor de tudo isso, é esperar por seu desfecho, que foge de uma resolução típica hollywoodiana e tão lugar-comum das comédias românticas.

 

 

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