Crítica:
Por Erika Corrêa

Com uma vida boêmia e uma morte precoce, o poeta Dylan Thomas (1914-1953) tornou-se famoso pelo mundo com suas poesias viscerais e um comportamento muito à frente do seu tempo.

Chamado de gênio do País de Galês - onde nasceu - Thomas influenciou os poetas da Geração Bet e, bem mais tarde, o cantor norte-americano Robert Allen Zimmerman, adotou o nome de Bob Dylan, em sua homenagem.

Esse personagem tão peculiar e intrigante ganhou no cinema apenas um documentário em 1962, realizado por Jack Howells e narrado pelo amigo Richard Burton.

Trinta e oito anos depois desse tributo, e quarenta e sete anos após sua morte, um novo filme sobre sua vida ganha as telas do cinema. Amor Extremo, do diretor John Maybury, conta apenas uma etapa, na época da Segunda Guerra Mundial, em que o poeta se envolveu amorosamente com duas mulheres.

Uma delas é sua esposa Caitlin (Sienna Miller) da qual viveu um romance conturbado, mas que perdurou até sua morte. A outra, a amiga de infância Vera Philips (Keyra Knightley) que o encontrou muitos anos depois em Londres no período de guerra.

Quem espera, no entanto, assistir a uma biografia de Dylan Thomas, vai se decepcionar. O filme é um pequeno recorte desse período e muito mais focado nas personagens femininas do que nos anseios, inspirações e realizações do poeta. Ou seja, Dylan Thomas parece mais como um pano de fundo para a história.

Interpretado por Matthew Rhys, Dylan Thomas é um poeta que coleciona uma longa linhagem de mulheres e trabalha como roteirista de filmes para o governo inglês. Vera é cantora de clubes noturnos. Os dois reatam o amor do passado, mas Dylan está casado com a aventureira Caitlin. Para apimentar mais ainda o triângulo amoroso, Vera acaba conhecendo um soldado William Killick (Sienna Miller) e se casa com ele.

Além dos encontros, desencontros, anseios e desejos tão complicados do amor, as conseqüências da guerra vão interferir diretamente na vida dos dois casais. Visto como uma história à parte da riqueza que a vida de Dylan poderia render ao cinema, Amor ao Extremo é um filme interessante. Os atores são talentosos, o cenário convincente e o drama bem roteirizado. Vale o ingresso.

 

 

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