Crítica:
Por Gustavo Mayrink

     Para quem vive reclamando – muitas vezes com razão – que o cinema americano passa por uma crise de identidade e que ultimamente pouco se cria e muito se copia, Agente 86 (Get Smart, EUA, 2008, 110 minutos) pode ser uma charada.

O filme estréia esta semana tentando mostrar que não é apenas mais um entre as intermináveis adaptações de seriados de TV que atingem a maioridade das telas e geralmente reforçam a idéia de que Hollywood já viveu dias e roteiros mais originais. “Não queríamos recriar o seriado, e sim dar a ele uma roupagem contemporânea, moderna. Nosso objetivo era contemplar o espírito original dos episódios e trazê-lo para as novas gerações”, afirma o diretor Peter Segal(Corra Que a Polícia Vem Aí 33 e 1/3 e O Professor Aloprado 2 – curiosamente uma adaptação e uma refilmagem -, entre outros).

Intrigas à parte, a versão cinematográfica para a famosa série produzida por Mel Brooks e Buck Henry entre as décadas de 60 e 70 que parodiava o mundo da espionagem chega com status de superprodução e elenco badalado.

Encabeça esta lista Steve Carrel, ator que se consagrou como O Virgem de 40 Anos e atualmente estrela a versão americana para a ótima série britânica The Office, papéis que fizeram de Carell um dos comediantes mais requisitados de Hollywood.

Desta vez ele entra em cena para reviver o estabanado Maxwell Smart, um dedicado analista da agência de espionagem CONTROLE que passa os dias elaborando relatórios que ninguém lê. Cansado da vida burocrática que leva, Max segue se preparando para o dia em que se tornará agente secreto, sem saber que seu antigo sonho se realizará antes da hora. Quando os escritórios da CONTROLE são atacados por uma criminosa organização, a KAOS, as identidades dos agentes ficam descobertas e só resta ao Chefe (Alan Arkin) promover Max a Agente 86.

Carell e o versátil Arkin já haviam trabalhado juntos em Pequena Miss Sunshine, de 2006, deliciosa comédia independente que premiou o veterano ator com um merecido Oscar.
Acompanhará Max em sua primeira e não muito original missão de salvar o mundo dos vilões da KAOS, a única pessoa que manteve a identidade preservada, a bela e elegante Agente 99, interpretada pela graciosa Anne Hathaway (O Diabo Veste Prada e O Segredo de Brokeback Mountain).

Temos então todos os elementos para uma comédia de ação: a dupla carismática, eletrizantes cenas de perseguição e uma série de apetrechos tecnológicos, inventos que marcaram o seriado original – devidamente homenagados no filme com uma aparição do emblemático sapato-fone.
Mas a grande arma do filme é mesmo Steve Carell. Com seu jeito abobalhado e cara de homem comum, sem muitas caretas, essa sarcástica paródia do “americano médio” faz render algumas risadas.

E para os saudosistas irredutíveis, aqueles que simplesmente acham um verdadeiro atentado a refilmagem de clássicos como este, um alento. Está sendo lançada junto com o filme uma caixa com 5 DVDs da primeira temporada do seriado, permitindo ao espectador esclarecer o enigma de qual Agente 86 cumprirá melhor sua missão.

 

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