Crítica:
Por Lúcia Helena de Camargo
Secreto,
mas não muito. Sedutor, embora um
pouco atrapalhado. Respeitado, porém
com certa dificuldade em história,
geografia e assuntos relacionados a política
internacional. Esse é o espião
Hubert Bonisseur de La Bath (Jean Dujardin),
protagonista da comédia francesa
Agente 117.
Bonitão, o espião francês é um
misto de James Bond com agente 86, além
de possuir um toque de inspetor Clouseau
e outro de Homer Simpson. Mesmo fazendo tudo
errado, acaba acertando sem querer. E embora
o longa atual tenha sido produzido em 2007,
o personagem foi criado nos anos de 1950.
O detetive é enviado para uma missão
especial no Cairo (Egito) em 1955. O mandante é ninguém
menos do que o presidente da França,
René Coty. Entre uma tarefa e outra
no galpão de criação
de galinhas – seu emprego-disfarce – encontra
tempo para conquistar beldades locais (Bérénice
Bejo entre elas), além de dominar
capangas armados usando apenas seu smoking
e uma considerável dose de sorte.
No local há espiões por todos
os lados. Todos sabem, as conspirações
estão na ordem do dia. Uns desconfiam
dos outros em tempo integral. A confusão
está armada. Daí deriva o título
original em francês: Le Caire nid d’espions.
Ou seja, Cairo, ninho de espiões.
Os vilões, como convém à época
da ambientação, são
alemães nazistas. E soviéticos.
Em sua peculiar maneira
de lidar com estrangeiros, o agente 117
faz troça do islamismo
no país de maioria muçulmana,
manifesta sua estranheza em relação
a hábitos, comidas e roupas dos egípcios.
E mesmo depois de protagonizar uma seqüência
de piadas politicamente incorretíssimas,
estranhemente continua vivo.
Sucesso de bilheteria
na França,
o filme já tem uma continuação
em andamento, que contará com seqüências
filmadas inclusive no Brasil, no Rio de Janeiro
e em Brasília.
O humor de Agente
117 vale a ida ao cinema. Mas não espere gargalhar na sessão.
O riso é discreto, assim como as piadas,
como convém a um espião francês.