Crítica:
Por Lúcia Helena de camargo
Para convencer Clint Eastwood a dirigir A Troca, o roteirista J. Michael Straczynski incluiu recortes de jornais da época entre cada 15 ou 20 páginas do roteiro que enviou, como lembrança de que a história ali relatada era real, ocorrida em Los Angeles, com início em 1928.
A estratégia funcionou e o diretor de Menina de Ouro (filme de 2004, vencedor de quatro prêmios Oscar) embarcou no projeto. Assim nasceu o longa que estréia nesta, sexta (9), nos cinemas brasileiros.
A bela Angelina Jolie (foto) vive Christine Collins, mulher que um dia chega em casa em não encontra Walter (Gattlin Griffith), o filho de nove anos de idade. Cinco meses depois, quando as buscas já estão conhecidas na imprensa, a mãe desesperada recebe um garoto, que a polícia (ávida por apresentar uma resolução para o caso) afirma ser seu filho sumido.
Ela de imediato percebe que aquele não é Walter. Abalada, porém, leva-o para casa. Mas quando se arma de argumentos médicos para provar que aquele não é seu filho, vai à justiça. Ela conta com ajuda do reverendo Briegbed (John Malkovich), pastor da igreja presbiteriana local que tomou como missão para si lutar contra a corrupção da polícia de Los Angeles.
Do outro lado está o capitão J.J. Jones (Jeffrey Donovan), que "achou" o menino. E a grande estrutura do departamento de polícia da capital da Califórnia, que tem poder inclusive de enviar para o hospício aqueles que incomodam demais.
Indicada ao Globo de Ouro 2009 de melhor atriz dramática e forte candidata à indicação para o Oscar na mesma categoria, a atriz convence no papel. E Eastwood joga na tela um drama consistente. Não apenas porque se sabe que aquilo de fato aconteceu.
Mas porque, embora haja oportunidades para a trama cair no lacrimejante e fácil, o tom permanece sóbrio. O espectador é levado mais à indignação pelo retrato de instituições corruptas do que às lágrimas.