Crítica:
Por Erika Corrêa
Com três anos de atraso chega às telas da cidade a segunda parte de Grindhouse, projeto escrito e dirigido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. A parte inédita era justamente a de autoria de Tarantino, a mais aguardada pelos fãs do cineasta.
Criado para homenagear as famosas sessões duplas que aconteciam nas chamadas Grindhouse, casas de cinema popular dos Estados Unidos da década de 1970 , os diretores inventaram dois filmes que parecessem com os daquela época, ou seja, produções de baixo custo, com apelo comercial, terror B e violência trash.
Como a idéia não foi bem recebida pelo público norte-americano, o projeto acabou desmembrado, e os filmes foram lançados internacionalmente em cópias separadas. Planeta Terror, de Robert Rodriguez, passou aqui em 2007, com seus zumbis e uma heroína que tinha uma metralhadora na perna amputada, mas também não rendeu bilheteria.
Assim a distribuidora Europa, responsável em trazer o primeiro filme desistiu de À Prova de Morte. Após o sucesso e indicações de Bastardos Inglórios, a distribuidora PlayArtes comprou os direitos e decidiu investir neste Tarantino anterior.
Realizado propositadamente como se fosse velho, o filme foi criado com riscos, partes faltando, para reconstruir justamente a estética das Grindhouses, ou melhor, a completa falta de uma, já que os exibidores pouco se importavam com a qualidade das fitas.
Na história, um dublê misógino equipa seu carro para resistir a batidas, cair na estrada e fazer suas vítimas. O serial killer é Stuntman Mike, interpretado pelo veterano Kurt Russell, mais um ator esquecido que Tarantino promove.
Dentre suas vítimas estão Arlene (Vanessa Ferlito), Shanna (Jordan Ladd) e a DJ Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), que além de bonitas, ganham diálogos que misturam uma espécie de feminismo moderno com termos chulos, aparentemente sem pretensão cênica, mas que sempre culminam em ações inesperadas - marca registrada de Tarantino.
Para os meninos grandes: corridas, explosões e batidas em carros nostálgicos como um Dodge Charger 1969 e uma Chevy Nova 1970. A trilha eclética, conta com bandas pouco conhecidas de pop, rock, clássico, soul e psicodélico. Mas , não falta uma faixa de Ennio Morricone, com uma melodia bem sinistra.
À Prova de Morte é uma brincadeira tarantinesca, puro tributo aos tempos de sua adolescência, já que era freqüentador assíduo das Grindhouses. Não é para ser comparado com seus trabalhos anteriores, mas para ser visto como um apêndice de sua inspiração cinematográfica.