Crítica:
Por Lucia Helena de Camargo
A possibilidade de navegar pelas mentes alheias é sempre uma fascinante matéria para roteiristas. Há milhões de possibilidades. O cineasta britânico Christopher Nolan (diretor de Batman - O Cavaleiro das Trevas) leva às telas em A Origem (Inception, Inglaterra/ EUA, 2010, 118 minutos) sua versão de como pode ser explorado esse mundo desconhecido.
Leonardo Di Caprio vive Don Cobb, especialista em espionagem industrial que é capaz de extrair os mais bem guardados segredos das mentes das pessoas. Ele é profissional qualificado em sua função. Porém, atormenta-lhe os dias a falta da esposa morta, Mal (Marion Cotillard), que habita seu subconsciente de modo avassalador. Cobb usa suas habilidades ajudado por todo um aparato tecnológico e sua equipe, na qual está a perspicaz estudante Ariadne (Hellen Page), arquiteta de sonhos. Ela constrói cenários, desdobra paisagens e conduz os sonhadores ao destino. O nome da personagem não foi escolhido à toa. Na mitologia grega, Ariadne é aquela que ajuda Teseu a sair do labirinto. Atenção, portanto, às atividades da moça. Já se disse que a trama de A Origem é confusa. Para não cair na armadilha, fica a dica: a chave para entendê-lo é seguir o fio de Ariadne.
Completam o elenco Tom Hardy, Cillian Murphy e o japonês Ken Watanabe, que já tinham trabalhado antes com Nolan, além de Joseph Gordon-Levitt e Michael Caine, no papel do guru sábio.
Trata-se de um filme sobre sonhos, mas não há sequências lisérgicas à la David Lynch, apenas um pouco de ficção científica e muita ação.
A Origem custou US$ 160 milhões e está fazendo sucesso estrondoso nos Estados Unidos, onde estreou em 16 de julho e até agora já faturou US$ 201 milhões. As bilheterias mundo afora somam outros R$ 171 milhões.
Você pode tirar suas próprias conclusões sobre o final, que dá margens a diversas interpretações. Uma pretensão dos técnicos em sonhos da história é transformar a visão de mundo daquele em cuja mente entram.
Talvez isso não aconteça com tanta intensidade no espectador, mas não se espante se sair da sessão de cinema algo atordoado, pois o filme sugere a ideia de que conceitos como certo e errado, vida e morte, vigília e sono – e até a lei da gravidade – são apenas convenções. Sua mente é que decide se existem ou não.