Crítica:
Por Erika Corrêa
Nico Vergara é um preso político chileno de meia idade, famoso pelos seus roubos a cofres-fortes. Angel Santiago é um ladrãozinho pé de chinelo de vinte anos. Ambos são libertados da penitenciária onde cumprem suas sentenças por meio do mesmo benefício: a lei de anistia pós-Pinochet, que liberou os presos que não cometeram crimes hediondos.
Assim passam a vagar pelas ruas de Santiago. Nico a procura de sua esposa e de seu filho que estão sumidos. Angel em busca de aplicar um novo golpe. O problema é que para colocar seu plano em ação, ele precisa da experiência do veterano Nico, que por sua vez, não quer nem pensar em retornar a vida criminosa.
O rumo da trama começa a mudar após Nico descobrir que o dono do bordel que lhe devia muito dinheiro gastou tostão por tostão. Enquanto isso, Angel se envolve com uma bailarina muda, que vive de caridade em uma instituição de dança. Juntos, os três decidem realizar o último grande roubo de suas vidas.
Dirigido pelo espanhol Fernando Trueba (Sedução/Oscar 1992), a história é baseada no romance de Antonio Skártema (autor de O carteiro e o Poeta). O protagonista é o excelente ator argentino Ricardo Dárin (O segredo dos seus olhos, Um Conto Chinês, O Filho da Noive), no papel do ladrão jovem está Abel Ayala e da bailarina, a novata Miranda Bodenhöfer.
Mesmo com esses atributos, o filme não ganhou nenhum prêmio dos quais concorreu, como o Goya de 2010. Justiça seja feita: os concorrentes naquele ano eram bem melhores: Cela 211, de Daniel Monzón (vencedor do Goya) e O Segredo dos seus Olhos, de Juan José Campanella (vencedor no Oscar).
Ricardo Darin faz mais uma atuação impecável, com um personagem consistente e real. Todavia, tanto Abel Ayla quanto Miranda não conseguem transmitir a mesma emoção. A cena dos instrutores do municipal de balé também ficou esteriopitada demais. Já a fotografia e o cenário da cidade de Santiago e da Cordilheira dos Andes são de encher os olhos.