Crítica:
Por Lúcia Helena de Camargo
Um dos desenhos clássicos da Disney volta à tela grande, agora em 3D: A Bela e a Fera. As imagens refeitas para se adequarem ao novo formato não chegam a fazer uma grande diferença, mas assisti-lo novamente ou ver pela primeira vez, no caso dos mais novos, é sempre uma experiência interessante.
A animação, produzida em 1991, teve como diretores Gary Trousdale e Kirk Wise, com roteiro de Linda Woolverton. Trata-se de um musical. Assim, as canções de Alan Menken & Howard Ashman fazem toda a diferença. No Brasil, as 111 cópias que chegam aos cinemas serão dubladas em português. Será ouvido o mesmo som da versão lançada em 1991, que de todo modo vale pelas canções caprichadas.
A história traz Bela, uma moça que mora em uma pequena vila com seu pai. Ambos possuem características algo incomuns. O pai é inventor e passa os dias em seu laboratório tentando criar mecanismos engenhosos. Às vezes consegue, outras acaba destruindo parte do cômodo em uma explosão. Já a filha gosta de livros e sonha com uma vida grandiosa. Para fugir do cotidiano comezinho, lê histórias sobre príncipes e princesas, meninos que sobem em pés de feijões e encontram gigantes, entre outras. Essa é uma das partes da trama nas quais a dublagem em português escorrega. Quando perguntam aonde vai, Bela diz: "À livraria", quando fica óbvio na cena seguinte que ela na verdade se dirige à biblioteca. A palavra em inglês é "library". O som pode ter levado ao erro do tradutor desatento.
Objetos encantados
Em um dia chuvoso, o pai de Bela acaba caindo prisioneiro no castelo da Fera. Quando fica sabendo, a jovem se oferece para ser encarcerada no lugar dele. Acordo aceito, ela passa a morar ali e acaba fazendo amizade com os objetos encantados do castelo — um bule de chá, xícaras, um candelabro e um relógio de pêndulo, guarda-roupas, todos falam e possuem emoções.
O segredo da Fera: ele é um príncipe transformado por uma bruxa a quem negou abrigo. A maldição só será quebrada quando ele amar uma mulher e for correspondido. Mas a bruxa deixou uma rosa dentro de uma redoma. Se a rosa murchar antes, ele vira fera para sempre.
Todos conhecemos o final feliz, com direito à lição de que não devemos julgar as pessoas pelas aparências. Porém, a história também pode ser vista como desserviço a diversas gerações de mulheres, passando a crença de que, se amarem um homem cheio de defeitos, apenas o amor fará com que ele se transforme em príncipe. Mais realista é a trama de Shrek, em que a princesa vira ogra para ficar com o ogro.
A Bela e a Fera foi indicado a seis prêmios Oscar. Ganhou o de Melhor Canção, para Alan Menken e Howard Ashman, e o de Melhor Trilha Sonora (Menken – indicado 15 vezes e vencedor em sete ocasiões). Foi o primeiro longa de animação a ultrapassar US$ 100 milhões em bilheteria no lançamento.
Conto original
Há diversas versões da história. Originalmente, o conto La Belle et la Bête foi escrito pela francesa Gabrielle-Suzanne Barbot, conhecida como a Dama de Villeneuve, em 1740. No cinema, apareceu primeiramente também na França, com direção de Jean Cocteau e co-direção de René Clément, em 1946. Estrelaram o filme Jean Marais e Josette Day. Chegou à Broadway em 1994. O musical estreou no Palace Theatre e foi apresentando em Nova York em 5.464 exibições entre 1994 e 2007. A peça foi encenada em 13 países e 115 cidades. No Brasil, teve diversas montagens teatrais, a mais recente em 2002, com reestreia em 2009.