Crítica:
Por Gustavo Mayrink
Foi-se o tempo em que as férias de julho chegavam e os pais se arrepiavam só de pensar em encarar alguma sala de cinema com a criançada. Nem tanto pela gritaria ou pelas guerras de pipoca, que permanecem há gerações sem reconhecer tratados de paz, mas principalmente pelo que esperava por eles nas telas, muitas vezes um interminável festival de asneiras sem a menor graça.
A Era do Gelo 3 chega para tentar enterrar de vez este estigma e mostrar, com algumas doses de inteligência, humor e aventura – mas também alguns clichês –, que depois de Toy Story (1995) ficou muito mais fácil divertir crianças e adultos em uma mesma sessão de cinema. Novamente dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha, a terceira parte da bem-sucedida saga glacial reapresenta seus personagens igualmente escrachados, embora, aparentemente mais maduros e reflexivos, passem a lidar até com dilemas amorosos e existenciais.
Na trama, o mamute Manny (originalmente na voz de Ray Romano e dublado por Diogo Vilela) vive sob constante tensão e ansiedade em razão do nascimento do primeiro filhote, a quem tenta proteger de "perigos" do mundo exterior, como um galho quebrado ou uma pedrinha de gelo no meio do caminho. Bem diferente da fiel escudeira Ellie (Queen Latifah/Cláudia Jimenez), que aguarda serenamente a chegada do mamutezinho sem maiores dramas.
Diego (Denis Leary/Márcio Garcia), o outrora temido tigre-dentes-de-sabre, parece andar mal das patas e a única coisa que ainda o faz impor respeito naquele cenário branco são os hífens do seu nome. Passa pela suprema humilhação de não ter mais fôlego para abocanhar um filhote de antílope e, como se não bastasse, ainda ser zombado pelo saltitante serelepe.
A preguiça Sid (John Leguizamo/Tadeu Mello), cada vez mais destrambelhada, também demonstra toda sua ambição materna ao adotar três ovos abandonados, sem saber que está prestes a se tornar babá de pequenos dinossauros carnívoros. Mal sabe a preguiçosa vegetariana que a incompatibilidade alimentar é o menor dos problemas que ela terá pela frente, já que logo surgirá uma não muito amistosa mamãe dinossauro disposta a reaver a guarda das jurássicas criaturas.
Espaço aberto para a maior novidade do filme, um mundo subterrâneo habitado por dinossauros, plantas exóticas, alguns mistérios e, acima de tudo, uma exeburante variedade de cores e texturas, valorizados ainda mais quando vistos através da fantástica tecnologia 3D. É por lá que a gélida trupe se embrenha para resgatar Sid, sempre guiados pela doninha Buck (Simon Pegg/Alexandre Moreno), uma destemida e esquizofrênica caçadora de dinossauros.
Em paralelo a tudo isso, o incansável e azarado esquilo Scrat continua atrás da sua noz, mas desta vez ele terá uma irresistível companhia nessa missão.
A estreia de A Era do Gelo 3 confirma a atual força das animações dentro do milionário mercado cinematográfico. Basta lembrar que recentemente coube a Up – Altas Aventuras (lançamento previsto para setembro), produção do badalado estúdio Pixar, abrir o último Festival de Cinema de Cannes, acirrando ainda mais essa briga de gente grande.
A Era do Gelo 3 (Ice Age: Dawn of the Dinossaurs, EUA, 2009, 94 minutos). Direção: Carlos Saldanha.
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