CAI MAIS UM PILAR DO GOVERNO. MANTEGA É O SUBSTITUTO DE PALOCCI
"Não vou colocar sujeira embaixo do tapete (sobre a possibilidade de preservar Palocci) ."
Jorge Mattoso, da Caixa

O homem que conduziu a política econômica com mão-de-ferro caiu duas semanas depois de ser desmentido pelo caseiro Francenildo dos Santos Costa, que detalhou à CPI dos Bingos o que ocorria em uma mansão alugada no Lago Sul em Brasília por ex-assessores da prefeitura de Ribeirão Preto. O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, envolvido na violação do extrato bancário do caseiro, não aceitou levar a culpa sozinho. E Antonio Palocci acabou pedindo demissão do Ministério da Fazenda.

Dida Sampaio/AE
Antonio Palocci deixa sua residência em direção ao Palácio do Planalto. Ele sabia que estava na corda-bamba, mas sua cabeça foi entregue pelo presidente da Caixa, Jorge Mattoso.

O substituto de Palocci será o presidente do BNDES, Guido Mantega, que ao saber da nomeação garantiu: a política econômica não muda. "Essa política econômica foi a de maior êxito dos últimos 15 anos", justificou. Para o lugar de Mantega na presidência do BNDES vai Demian Fiocca, vice-presidente da instituição. Na vaga de Mattoso, que pediu demissão (leia mais sobre o caso na página 3), entra Maria Fernanda Ramos Coelho, funcionária de carreira da Caixa há 23 anos. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, pediu sua exoneração do cargo em caráter irrevogável.

Palocci caiu depois de se ver enredado numa série de irregularidades para desqualificar o caseiro como testemunha. Francenildo sustentou que o ministro freqüentava a mansão. Palocci dissera que jamais esteve lá. No dia seguinte, o caseiro teve seu sigilo bancário violado. O escândalo chegou a seu ápice ontem, com o depoimento do presidente da Caixa à Polícia Federal .

Não vou
colocar sujeira embaixo
do tapete (sobre a possibili-dade de preservar Palocci) .

Jorge Mattoso,
da Caixa

Jorge Mattoso fez chegar ao presidente Lula a informação de que iria revelar o papel do ministro no episódio, contando que Palocci recebeu pessoalmente o extrato. "Não vou colocar sujeira embaixo do tapete," disse Mattoso. Lula então concluiu que não seria possível manter o homem forte da economia no cargo.

Ao saber da decisão, Palocci tentou dar um caráter amistoso à sua saída do governo. Divulgou uma nota curta e ambígua, onde dizia que decidira pedir "afastamento" do posto, o que lhe garantiria foro privilegiado. Irritado, Lula fez questão de anunciar que o ministro seria demitido. "Agora não dá mais," disse o presidente a um assessor.

Palocci estava com o pescoço na guilhotina desde a tarde de domingo, quando se encontrou com Lula e não conseguiu convencê-lo de que seus auxiliares não tinham qualquer responsabilidade na operação criminosa que capturou o sigilo bancário do caseiro e o entregou à revista Época. Ele assegurou ao presidente que as denúncias de Francenildo e as suspeitas sobre seus assessores eram falsas. Mas, os próprios auxiliares de Palocci não resistiram à pressão. Confirmaram que o assessor de imprensa do ministro, Marcelo Netto, foi o responsável por entregar o extrato bancário do caseiro à revista. (Agências)

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