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Automação
comercial
já é mercado bilionário
Setor deve movimentar este ano
R$ 1 bilhão, sendo que
os fabricantes de equipamentos são responsáveis
por mais da metade disso
Por Carlos Ossamu
Em comparação ao segmento bancário, a
automação comercial poderia ser considerada o "primo
pobre". Segundo dados divulgados pela Federação
Brasileira de Bancos (Febraban), os bancos devem gastar este
ano algo em torno de R$ 12 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões
apenas na aquisição de novas tecnologias. Já o
mercado de automação comercial, de acordo com
o presidente da Afrac (Associação dos Fabricantes
e Revendedores de Equipamentos para Automação
Comercial), movimenta, por ano, algo em torno de R$ 1 bilhão.
Foto:Divulgação

Wolney
Betiol, presidente da Afrac, diz
que os fabricantes de equipamentos
devem faturar este ano cerca de R$
600 milhões
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" O mercado é dividido em quatro segmentos, os fabricantes
de equipamentos, os prestadores de serviços, desenvolvedores
de softwares e os fornecedores de suprimentos. A maior fatia
fica com os fabricantes de equipamentos, que devem faturar
este ano cerca de R$ 600 milhões", afirma
Wolney Betiol, presidente da Afrac.
Segundo o executivo, há cerca de 100 empresas que desenvolvem
e produzem equipamentos para automação do comércio,
entre caixas registradoras eletrônicas, miniterminais,
impressoras fiscais e não fiscais, CPUs, PDVs e outros
periféricos, como balanças, leitores de código
de barras, pin pads etc.
" Os prestadores de serviços, em torno de 3 mil empresas,
são responsáveis pela integração,
implementação
e manutenção dos sistemas. Há cerca de
500 desenvolvedores de softwares e 50 fornecedores de suprimentos.
Esses três segmentos respondem pelos R$ 400 milhões
restantes", explica Betiol.
Em relação ao comércio, o que se vê são
grandes disparidades, um cenário que até reflete
as desigualdades sociais encontradas no país –de
um lado o comércio ambulante e de outro a nova loja
da Daslu, em São Paulo, onde só é possível
entrar de carro (o estacionamento custa R$ 30 a hora) e vende
de roupas a helicópteros.
Da mesma forma, no mercado há lojas superinformatizadas,
com sistemas inteligentes que determinam os melhores mix de
produtos e preços, de acordo com o perfil dos clientes,
e outras que sequer possuem caixas registradoras e ainda funcionam à base
de cadernetas. Em alguns casos, o país conseguiu desenvolver
tecnologias próprias, tão sofisticadas
quanto as encontradas no exterior.
" As redes de supermercados estão todas informatizadas,
assim como as redes de franquias de todos os setores. As farmácias
precisam de automação, pois o giro é muito
alto e os medicamentos possuem datas de validade que precisam
ser controladas. Os restaurantes por quilo e os fast foods
também são setores onde a automação
viabiliza o negócio", comenta Betiol.
"É
um equívoco ver a automação apenas como
uma obrigatoriedade fiscal. A automatização proporciona
uma melhor gestão do negócio, agrega valor e é fundamental
do ponto de vista estratégico. Porém, é comum
o comerciante investir em sistemas, mas não treinar
seus funcionários, seja por displicência ou porque
não sobrou dinheiro para isso. O resultado é que
eles não vão saber operar e tirar bom proveito
da automação."

É comum
o comerciante investir em sistemas,
mas não treinar seus funcionários,
por displicência ou porque
não sobrou dinheiro
Wolney Betiol
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Barreira da lei – A legislação fiscal é bastante
complexa e varia de estado para estado. Este fato funciona
como uma barreira protecionista até mais eficiente do
que a antiga reserva de mercado em informática. Não é possível,
em alguns casos, simplesmente importar os equipamentos,
pois eles precisam ser homologados e seguir as normas
brasileiras.
O maior exemplo disso são as impressoras fiscais, cujo
mercado é praticamente dominado por empresas nacionais.
Alguns grandes players internacionais até importam componentes,
mas montam o produto no país. Como preço é importante
em qualquer mercado, a montagem local deixa o equipamento mais
barato, por conta de incentivos fiscais previstos no Processo
Produtivo Básico (PPB).
Nesta área, o grande destaque vai para as impressoras
térmicas fiscais, com Memória Fita Detalhe (MFD).
Esses equipamentos são mais rápidos do que os
tradicionais modelos matriciais, com a vantagem de não
gerar a segunda via –as informações ficam
armazenadas em memória flash, dispensando a impressão
da segunda via. Com isso, o comerciante não precisa
guardar o documento por cinco anos em arquivo morto, economizando
espaço físico.
" Os microterminais representam outra solução tipicamente
brasileira", comenta Betiol. "No exterior, as caixas
registradoras são mais usadas. Aqui, a dupla teclado
e impressora fiscal se mostrou uma boa solução
em automação comercial, pois são flexíveis,
possuem baixo custo de aquisição e ocupam pouco
espaço no checkout, separando o gerencial do fiscal",
diz o executivo. O software aplicativo é gravado internamente
no microterminal, em memória ROM, e o sistema permite
diversos tipos de controle, emitindo vários relatórios. É uma
solução intermediária entre a caixa registradora
eletrônica e o microcomputador.
Para Betiol, um outro destaque nacional vai para
os softwares. "Os
aplicativos de gestão de lojas oferecidos no mercado
são de alto nível. Nesta área o Brasil é bastante
forte. Existem sistemas desenvolvidos para ramos específicos,
como supermercados, farmácias, lojas de materiais de
construção etc." Além de serem eficientes,
os softwares nacionais têm a vantagem da língua.
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