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Em busca de uma
São Paulo perdida

Quanto mais velha, mais moderna. Em meio a um acelerado processo de
mudanças, vale a pena sair em busca do que restou do passado. O resultado é surpreendente.

Por Ivan Ventura

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Se há um lugar que bem ilustra as mudanças ocorridas em São Paulo ao longo dos últimos 100 anos, esse local é o Centro Velho ou Histórico. Nos anos 30, a vista a partir do Viaduto do Chá exibia um Vale do Anhangabaú bem diferente, com um imponente e aparentemente insuperável Edifício Martinelli. Hoje, com 130 metros de altura, aquele que um dia foi aclamado como o maior prédio da América Latina recebe as sombras de construções bem mais altas, caso do vizinho Altino Arantes, o eterno "edifício do Banespa".

Para mostrar essa evolução para o alto e para os lados da cidade, o Diário do Comércio fez um ensaio fotográfico a partir de imagens registradas no início e meados do século passado, todas elas disponíveis na página do Arquivo Público do Estado, que recentemente foi reaberto após um período de reforma.

Nessas imagens, é possível verificar não apenas uma mudança na paisagem, mas também no comportamento dos paulistanos.

Um exemplo são as fotografias do Triângulo Histórico (limitado pelas ruas 15 de Novembro, São Bento e Direita), que há 100 anos preserva sua vocação comercial e para passeios elegantes ou "footing".

 

Já naquele tempo, as vitrines alimentavam os sonhos de consumo do paulistano, sempre atento às novidades trazidas da Europa.

Hoje, as lojas ainda alimentam esse sonho, mas contam com a companhia dos bancos com as fachadas do período da Belle Époque paulistana.

As fotos exibem também contrastes comportamentais. Mais lentos que os ônibus, os bondes transportavam cavalheiros alinhados em seus ternos e damas com longos vestidos. Hoje, o terno virou camiseta e jeans e o vestido ficou bem mais curto.

Muitos prédios, hoje, sobrevivem apenas em fotos em preto e branco do passado. O atual edifício Sampaio Moreira (avô dos arranha-céus paulistanos) posava ao lado de construções menores que desaparecem, como o Palacete Prates e a antiga sede do Automóvel Club de São Paulo. Nem os jardins franceses do Anhangabaú resistiram ao tempo: viraram obstáculos para skatistas ou foram esquecidos pela população.

A historiadora Simone Lucena Cordeiro, diretora do núcleo textual privado do Arquivo do Estado, explica que a cidade da virada do século passado era inspirada em referências francesas, inglesas e um pouco da norte-americana. Mas muita coisa mudou. "A cidade ganhou edifícios que passaram a ofuscar os casarões, que sumiram. Hoje vemos uma mistura de estilos. Temos prédios modernistas ao lado de um casarão ou edifícios altos mais modernos. Essa é a face atual da cidade, especialmente a do Centro", disse Simone.

Foto: Alex Ribeiro/DC
 
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