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O Moleskine não é um produto qualquer. É uma metonímia, tão marcante quanto Gillette ou Bombril. Objeto de desejo daqueles que sempre têm de ter por perto um bloco de anotações para escrever ou desenhar, ele serviu de inspiração para uma legião de marcas que hoje produzem cadernos nos moldes da empresa italiana Moleskine SRL.
Os fãs do caderno mais famoso do mundo – a grife tem fãs, não simples usuários – formam um grupo heterogêneo há cerca de 200 anos. Vincent Van Gogh, Pablo Picasso e Ernest Hemingway, apenas para citar três ícones da pintura e literatura, usavam o Moleskine para registrar seus traços e palavras.
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Acima, duas ilustrações
de
Joseph R. Tomlinson |
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Hoje, há grupos online que reúnem desenhos feitos por adoradores do pequeno caderno de cantos arredondados e do característico elástico que o envolve. O Skineart.com recebe fotos de aproximadamente 2 mil contribuidores "ativos", segundo Leo Gartsbeyn, que criou o site em abril de 2008.
Em entrevista por e-mail, de Nova Jersey (EUA), ele contou que montou a "comunidade de artistas" porque achava que seria "uma boa ideia" na época. "No final, o site se transformou numa ótima ideia. Um lugar para conhecer pessoas fascinantes do mundo inteiro, onde todos compartilham, aprendem e se divertem."
O paulista Marcelo Braga, sócio do estúdio de ilustração Macacolândia, costumava mandar fotos de seus desenhos para o Skineart.com , além de manter as imagens no Flickr.com e em seus dois blogs, um em português, outro em inglês. "Sou ilustrador, o que mais faço é desenhar. Mesmo quando não estou trabalhando eu estou desenhando. Desenho quando estou almoçando, quando estou na padaria, quando estou com os amigos. Tenho sempre um caderno na mochila, no carro", diz.
É fã do Moleskine ("o mais famoso e também o mais caro"), mas não se limita somente à marca. Vive comprando e testando, sim, testando cadernos, e elogiou os produtos da carioca Cícero – |
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| Fotos: Leandro Moraes/LUZ |
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Acima, detalhe de um dos cadernos de Braga. "Desenhar é um
exercício diário", diz o sócio do estúdio de ilustração Macacolândia. |
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www.ciceropapelaria.com.br (à venda em São Paulo, endereço
na próxima página).
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O ilustrador Marcelo Braga desenha em um Moleskine. Um de seus cadernos foi exposto no estande da famosa grife em bienais na Alemanha, Grã-Bretanha
e Japão. |
Há cerca de três anos, uma funcionária da Moleskine entrou em contato com Braga, após ver seus desenhos no Flickr, querendo saber se ele poderia mandar um de seus cadernos para a Bienal de Livros de Frankfurt (Alemanha). "Ela me disse que eu poderia pedir quantos Moleskines quisesse. Pedi 10 ou 15, para não exagerar. Eles me mandaram um monte. Depois, perguntaram se o Moleskine poderia ir para Londres, para Tóquio, e, cada vez, eles me mandavam mais cadernos."
Convenção – O Moleskine 'viajante' de Braga voltou um ano depois, após ter sido exposto em várias feiras. O ilustrador está montando um sketchbook para levar à San Diego Comic-Con, uma das mais famosas convenções de quadrinhos do mundo, que acontece todos os anos em julho, na Califórnia (EUA).
Vai fazer 200 cópias do caderno, não sabe se para vender (prática comum nesses encontros) ou apenas distribuir.
Segundo Gartsbeyn, do Skineart.com, todos os desenhos em Moleskine enviados são publicados. "Essa variedade de estilos, técnicas e assuntos torna tudo mais divertido. A arte é muito subjetiva e aberta a interpretações. De vez em quando, aparecem desenhos mais controversos, mas a discussão é sempre calma e cortês."
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