
Por Erika Corrêa
Considerada uma mulher que faz filmes de “meninos”, Kathryn Bigelow é a grande vencedora do Oscar de 2010, com seu filme Guerra ao Terror, vencedor de seis estatuetas, das nove que fora indicado.
Famosa pelos filmes de ação e aventura, como o cultuado Caçadores de Emoção, a diretora norte-americana, tornou-se a primeira mulher da história da Academia a levar a estatueta de direção para casa, além de ficar com Melhor Filme, Roteiro Original, Montagem e Edição de Som.
Assim Kathryn deu um baile no ex-marido James Cameron, que concorria ao mesmo número de categorias com seu recordista de bilheterias Avatar que ganhou apenas três prêmios técnicos (Direção de Arte, Efeitos Visuais e Fotografia).
Justiça feita - o que é raro em se tratando do Oscar - Guerra ao Terror é um filme eletrizante sobre a guerra do Iraque, criativo e sem clichês, bem ao contrário dos bonecos azuis de Cameron.
Apesar de tamanha tecnologia e milhões dólares, gastos e arrecadados, Avatar é mais uma história de colonização hegemônica, revestida de pirotecnia e efeitos especiais. Já Guerra ao Terror mostra um lado humano do conflito, longe de qualquer maniqueísmo tão evidente no seu concorrente.
A rotina massacrante de um sargento dos EUA, especializado em desativar bombas, é mostrada sem a pretensão de um comportamento “politicamente correto” e isso torna o filme ainda melhor.
Assim, Kathyrn que quase perdeu o fôlego ao subir ao palco com dois troféus em mãos, agradeceu não só aos soldados norte-americanos, como aos bombeiros e todos que arriscam suas vidas para salvar outras.
Lançado no Brasil diretamente em DVD, justamente por não aparentar a distribuidora um futuro lucro, Guerra ao Terror foi lançado no cinema aqui oito meses depois, após ganhar outros prêmios cinematográficos e ser indicado ao Oscar.
Para surpresa maior, conseguiu que a Academia se desvinculasse do efeito “bilheteria”, e não premiasse desta vez o filme arrasa quarteirão.
Já nas outras categorias as regras seguiram. O prêmio de melhor ator ficou para Jeff Bridges, por Coração Louco e Melhor Atriz para Sandra Bullock, por Um Sonho Possível. Ele, com 51 anos de carreira, e sessenta anos, interpretou um cantor country alcoólatra e fracassado, papel ideal de sofredor para o Oscar. Ela, com quarenta filmes na carreira, faz papel da boa moça que acolhe um desajustado para dentro de sua família. Um dia antes, Sandra recebeu o Framboesa de Ouro de pior atriz por Maluca Paixão.
Outras categorias sem surpresas foram, a de Melhor atriz Coadjuvante para Mo'Nique, em Preciosa - Uma História de Esperança, Melhor Ator Coadjuvante para Christoph Waltz, em Bastardos Inglórios e Melhor Animação para Up - Altas Aventuras, de Pete Docter.
A novidade ficou para o Melhor Filme Estrangeiro: "O Segredo dos Seus Olhos", de Juan José Campanella (Argentina), já que o favorito era o longa alemão A Fita Branca.
A apresentação de Alec Baldwin e Steve Martin também foi outro ponto forte da festa. Bem melhor que os outros anos, os atores fizeram piadas mais inteligentes do que o costume e Martin ainda no final do evento acentuou ao lado de Kathyrn: “Avatar já é coisa do passado”. Felizes ficaram quem ainda gosta do bom cinema.
Confira a lista dos indicados e vencedores