12/07/2010
Adeus África
Show de encerramento tem Mandela, Shakira e homenagem à vuvuzela

 

Nelson Mandela enfim apareceu na Copa do Mundo. Por cerca de três minutos, o líder sul-africano foi a grande estrela no Soccer City, durante a festa de encerramento realizada antes da final de ontem.

Com problemas parar andar, por causa da idade avançada (completa 92 anos no domingo que vem), Mandela passeou num carrinho de golfe pelo gramado, que ainda estava encoberto por um tablado. Ele estava acompanhado de seu mulher, Graça Machel, e usava luvas e gorro de lã, numa noite em que nem estava tão frio (14ºC).

 Dylan Martinez/Reuters
A cantora colombiana foi a grande estrela, com a canção Time for Africa
 Thomas Coex/AFP
O líder sul-africano fez uma rápida aparição durante a cerimônia de encerramento
da Copa do Mundo

O grande herói da luta contra o apartheid foi aplaudido em pé e acenou para a plateia, que ensaiou um coro de “Madiba! Madiba!”, seu apelido. Depois, foi efusivamente cumprimento pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, que não escondeu o alívio por contar com o convidado de honra. Mandela não participou da abertura porque uma de suas bisnetas morreu na véspera, após um acidente de carro.

O show de encerramento foi rápido: cerca de meia hora de efeitos visuais, músicas e coreografias sobre um telão horizontal no gramado. A primeira imagem que se viu projetada no telão em que o gramado se transformou foi o planeta Terra rodeado por várias vuvuzelas. Em seguida, centenas de pessoas no chão se juntaram para formar uma corneta gigante. O recado estava dado: não importam as críticas, ela é um orgulho sul-africano.

Descalça, Shakira abriu os shows, com o hino da Copa, Time for Africa. Seguiram-se artistas locais. Cerca de 500 pessoas chegaram a estar no gramado do Soccer City, que foi alvo de críticas - tanto que, na véspera da final, Holanda e Espanha não puderam nem usar o campo inteiro para treinar.

 
 
Veja as tabelas completas dos jogos

 Caetano Barreira/Folhapress
Orlando Silva, Romário, Bebeto, Ricardo Teixeira, Luis Inácio Lula da Silva, Cafú, Carlos Alberto Parreira,
Joseph Blatter e Carlos Alberto Torres lançam, em Johannesburgo, a logomarca oficial da Copa do Mundo no Brasil

12/07/2010
Até 2014

Brasil lança logomarca em festa na África do Sul e promete encantar o mundo

O Brasil está atrasado nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014, mas a CBF e o governo federal fizeram uma grande festa no Centro de Convenções de Sandton, em Joanesburgo, na quinta-feira, dia 8, para lançar a logomarca criada pela agência África. Romário, Beckenbauer e Platini participaram da festa, que teve samba, bossa nova, piadas e gafes, mas as principais atrações foram o presidente Lula e Joseph Blatter, o mandatário da Fifa.

Ricardo Teixeira abriu os discursos: “É interessante constatar como o mundo se africanizou, mas, se saímos daqui mais africanos, o mundo deve se preparar para ser mais brasileiro em 2014.”' Misturando inglês, espanhol e português, Blatter deu-lhe razão: “Devemos falar português porque o Brasil é a maior nação do futebol”, disse. “Até 2014, o senhor vai falar português fluentemente”, brincou a atriz Fernanda Lima, apresentadora do evento ao lado do marido, Rodrigo Hilbert.

Lula subiu ao palco e foi aplaudido ao dizer que as Copas de 2010 e 2014 são a realização do esforço de João Havelange, presidente de honra da Fifa. Depois, brincou com Platini, presidente da Uefa, e cometeu a primeira gafe: “Você tirou o Brasil da Copa. Se meteu a marcar um gol de pênalti...” Platini marcou nas quartas de final da Copa de 1986 o gol de empate com o Brasil (1 a 1), mas desperdiçou sua cobrança na decisão por pênaltis, vencida pelos franceses.

O presidente cometeu outro erro ao falar de Beckenbauer. “Depois de mim e do Pelé, foi o melhor que vi jogar”, brincou. “Foi um dos jogadores que mais admirei pela garra. Lembro que você jogou com o braço quebrado aquele Alemanha x Inglaterra na Copa de 1966.” Na verdade, o alemão jogou com o braço enfaixado a semifinal de 1970, contra a Itália.

A festa teve ainda um vídeo em que a modelo Gisele Bündchen, a cantora Ivete Sangalo, o designer Hans Donner, o arquiteto Oscar Niemeyer e o escritor Paulo Coelho falam sobre a Copa no Brasil. Ao final, houve show da cantora Vanessa da Mata. Passada a festa, a CBF fez um comunicado em seu site: “Chegou a hora de o país do futebol entrar em campo. Em 2014, a maior competição do planeta volta, 60 anos depois, a ser disputada na sua verdadeira casa, tornando real o sonho e fazendo a alegria e orgulho de seus milhões de apaixonados torcedores.”

E tratou de explicar o sentido da logomarca escolhida para a Copa de 2014: “A inspiração para este projeto vem da fotografia icônica de três mãos vitoriosas, juntas levantando o troféu mais famoso do mundo. Além da noção humanitária da interligação das mãos, essa representação em verde e amarelo é o simbolismo das mãos calorosas brasileiras dando as boas-vindas ao mundo.”

Encerrada a festa brasileira, Romário faz questão de lembrar o que espera a Seleção em 2014: “O título é obrigação. Não tem como ser diferente.”


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