08/07/2010
Dia de fúria
Espanha faz 1 a 0 na Alemanha e enfim justifica seu apelido na Copa do Mundo: é finalista pela primeira vez, ao lado da Holanda

Roberto Schmidt/AFP
Faltavam 17 minutos para o final da partida quando Puyol subiu em meio a vários jogadores, todos mais altos que ele, para marcar o gol da vitória da Espanha sobre a Alemanha.
 

Em Copas do Mundo, a seleção espanhola levou 80 anos para justificar seu apelido: "Fúria". Ontem, finalmente, conseguiu. Classificada pela primeira vez para as semifinais no sistema eliminatório (em 1950, no Brasil, foi quarta colocada disputando um quadrangular de pontos corridos), a Espanha chega agora à sua primeira final, graças à vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha, campeã em 1954, 1974 e 1990.

O gol solitário, marcado de cabeça pelo zagueiro Puyol, jogador-símbolo do Barcelona, aconteceu a 17 minutos do final da partida, mas poderia ter saído bem antes. Os espanhóis buscaram o ataque desde os primeiros instantes do jogo, diante de uma Alemanha que, desfalcada do meia-atacante Müller, suspenso com dois cartões amarelos, não conseguiu encaixar o contra-ataque.

 Pierre-Philippe Marcou/AFP
A expressão furiosa do autor do gol, comemorado junto com os companheiros: Espanha na final, pela primeira vez

Os atuais campeões europeus (título conquistado em 2008, diante da própria Alemanha) voltaram a reverter o favoritismo, que antes da Copa era deles, mas havia passado para os alemães, pelas exibições dos dois times ao longo do Mundial. Ontem, porém, a Espanha voltou a exibir seu futebol costumeiro, não o da primeira fase da Copa, quando até perdeu na estreia para a Suíça, por 1 a 0. Quando saiu o gol espanhol, dez dos onze jogadores alemães em campo eram mais altos que Puyol, com seu 1,78 metro. O time alemão tinha então dez jogadores com pelo menos 1,80 metro. O único abaixo disso era o capitão Lahm, que tem 1,70 metro. Mesmo assim, Puyol acertou a cabeçada em um nível mais baixo que o zagueiro Friedrich (1,85 metro), que tentava alcançar a bola. E se antecipou a seu colega Piqué (1,92 metro), que também estava na jogada.

O treinador da seleção espanhola, Vicente Del Bosque, comemorou bastante a vitória. "Nossa equipe esteve extraordinária. Da defesa ao ataque, fizemos um partidaço", declarou o técnico. "Ainda temos outra partida pela frente e vamos ver se somos capazes de nos sentir à vontade com a bola", disse Del Bosque, antes de advertir que "a Holanda tem representado muito bem os valores de seu futebol e será um adversário muito difícil".

Um time que ainda não estava maduro perdeu para o melhor do mundo. Esse foi o diagnóstico cheio de resignação feito pelo próprio técnico alemão, Joachim Löw, após a derrota para os espanhóis. Somando-se o 1 a 0 na final da Euro 2008, essa foi a segunda derrota seguida da Alemanha para a Espanha em jogos decisivos nos últimos dois anos. Dessa vez, o fracasso parece ter doído mais porque as duas goleadas sobre a Inglaterra (4 a 1) e a Argentina (4 a 0) levaram os germânicos a se verem como mais fortes e com futebol renovado. "Vi as faces dos jogadores. Estão desapontados porque tínhamos ambições. Temos que parabenizá-los. Trabalhamos muito duro. Fizemos o que pudemos. Não fomos bons o suficiente'', disse Löw. Na opinião dele, a Espanha pratica o melhor futebol no mundo no momento: "Em 2008, a Espanha ganhou a Euro de um jeito convincente. Ganharam os torneios importantes nos dois ou três anos''. Sua admiração chega a tal ponto que se mostrou "confiante'' de que "os espanhóis vão ganhar o título''. Entre os atletas, o atacante Cacau, brasileiro naturalizado alemão, fez críticas à postura defensiva da equipe: "A Alemanha jogou muito atrás, principalmente no primeiro tempo."

 
 
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