Faltavam apenas quatro minutos para o final da prorrogação de Holanda x Espanha, decisão da Copa do Mundo de 2010, empatada por 0 a 0 até ali, quando Fábregas lançou Iniesta. O arremate certeiro, cruzado, deu à Espanha seu primeiro título de campeã mundial.
A Espanha, agora, entra na seleta galeria dos países que já ganharam a Copa do Mundo: Brasil (cinco vezes, em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), Itália (quatro, em 1934, 1938, 1982 e 2006), Alemanha (três, em 1954, 1974 e 1990), Argentina (duas, em 1978 e 1986), Uruguai (também duas, em 1930 e 1950), Inglaterra (uma, em 1966) e França (uma, em 1998). Já a Holanda viu o título escapar pela terceira vez, como em 1974 e 1978, quando também foi vice-campeã. No entanto, os espanhóis são também os campeões com menor média de gols (1,14 por partida, contra o 1,57 do Brasil tetra em 1994), em uma Copa cuja baixa média de 2,26 gols por partida só não é pior que a da Itália, em 1990, com 2,21.
| Dylan Martinez/Reuters |
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Foi um jogo nervoso e com alguns lances violentos, que não por acaso entra para a história como a final de Copa do Mundo com o maior número de cartões: 13 amarelos, sendo oito para a Holanda (Van Persie, Van Bommel, De Jong, Van Bronckhorst, Heitinga, Robben, Van der Wiel e Mathihsen) e cinco para a Espanha (Puyol, Sérgio Ramos, Capdevila, Iniesta e Xavi), e um vermelho, para o holandês Heitinga.
O segundo tempo foi bem mais movimentado que o primeiro, com os holandeses perdendo as duas melhores chances do jogo. Aos 16 minutos, Sneijder deu um belo lançamento para Robben partir cara a cara com Casillas. Mas o holandês chutou no meio do gol, e o espanhol fez ótima intervenção com o pé. Aos 38, em um contra-ataque, novamente Robben invadiu a área e novamente Casillas fez excelente intervenção.
Na prorrogação, logo aos 2 minutos, Xavi foi calçado dentro da área por Heitinga, mas o árbitro não marcou pênalti para a Espanha. Três minutos depois, Fábregas partiu livre para a área e chutou em cima do goleiro holandês. Um minuto depois, em cobrança de escanteio, Mathijsen subiu livre, mas testou para fora.
No segundo tempo da prorrogação, Heitinga puxou Iniesta, recebeu seu segundo cartão amarelo e foi expulso. Com um a mais, a Espanha foi pra cima e acabou vencendo.
| Michael Kooren/Reuters |
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Além de ser a primeira seleção europeia a conquistar a Copa fora de seu continente, a Espanha entra para a história como a única a levantar o troféu depois de estrear perdendo no Mundial (1 a 0 para a Suíça). Com a conquista na África do Sul, a Espanha também acabou com uma "maldição" que envolvia quem desembarcava na Copa vindo de título da Eurocopa. A última ocasião havia acontecido com a Alemanha, ganhadora da Euro em 1972 e do Mundial em 1974. Ao marcar o gol que valeu a vitória e o título, o meia Iniesta homenageou seu conterrâneo Dani Jarque, que morreu em 2009 depois de sofrer um ataque cardíaco em um hotel na Itália. Iniesta levantou a camisa com os dizeres: "Dani Jarque sempre conosco". O meia espanhol foi eleito o melhor em campo em eleição no site da Fifa.
Capitão da seleção espanhola, o goleiro Casillas, do Real Madrid, chorou muito na comemoração do título, no gramado do estádio Soccer City, em Johannesburgo. O arqueiro foi um dos principais personagens da conquista espanhola. Alguns jogadores da Catalunha desfilaram com a bandeira da região na comemoração, casos de Xavi e Puyol, ambos do Barcelona. Em todo elenco espanhol, são sete jogadores catalães. A Catalunha é uma das regiões mais tradicionais da Espanha e conhecida também por ter um caráter separatista. Outras bandeiras também apareceram nas comemorações, como a do País Basco.
| Roberto Schmidt/AFP |
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| O gol da vitória da Espanha sobre a Holanda por 1 a 0, marcado por Iniesta já aos 11 minutos do segundo tempo da prorrogação, visto por dois ângulos.
E (no topo) a festa dos espanhóis
com a taça, uma cena que demorou 76 anos para acontecer, desde a primeira participação do país em Copas do Mundo, na Itália, em 1934 |
O técnico Vicente del Bosque não poupou elogios à sua equipe e ao futebol apresentado. "Creio que esta final premiou o futebol ofensivo, de ataque. Hoje a final premiou o futebol", afirmou Del Bosque, que fez elogios aos craques do time e também à raça de outros. "São jogadores de muito prestígio. É um êxito de todos, não apenas de Xavi ou Iniesta. Há o esforço, a luta, a garra de jogadores como Puyol. Contamos com diferentes jogadores, de muita qualidade", explicou. O técnico assumiu a seleção espanhola após a conquista da Eurocopa de 2008, quando Luis Aragonés deixou o comando. "Este título mundial começou em julho de 2008. Fizemos um exercício de não apagar o que tinha sido feito. Fomos introduzindo gente nova sem mexer muito nos 23 (jogadores) que conquistaram a Eurocopa. Não mudar foi o acerto", disse Del Bosque. |
Nem parecia que o que estava em jogo era apenas a terceira colocação na Copa, pois uruguaios e alemães fizeram no sábado uma das partidas mais movimentadas de todo o Mundial disputado na África do Sul.
No primeiro tempo, a Alemanha saiu na frente e o Uruguai empatou. No segundo, foi a vez dos uruguaios virarem para 2 a 1, de os alemães voltarem a empatar e, a seguir, virarem o resultado. Final: Alemanha, terceira colocada, 3, Uruguai, quarto, 2.
| Carl de Souza/AFP |
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| O uruguaio Diego Forlán, um dos artilheiros do Mundial, comemora seu gol diante da Alemanha. No dia seguinte, recebeu outra grande notícia:
foi eleito o melhor jogador da Copa |
Mais do que o resultado, a maneira como as duas equipes disputaram essa Copa foi altamente positiva. Renovada, a Alemanha deixa a competição esperançosa em seu time jovem e ofensivo. Já o Uruguai recuperou um pouco do respeito de um velho bicampeão mundial que após 40 anos volta a figurar entre os quatro melhores times do mundo.
No domingo, o feliz recomeço de alemães e uruguaios recebeu mais premiações. Ignorado na lista incial de candidatos a principal craque da Copa 2010, o atacante uruguaio Diego Forlán surpreendeu e foi eleito o melhor jogador da competição na África do Sul. A escolha foi feita pelos jornalistas credenciados pela Fifa para cobrir o torneio e anunciada após a decisão entre Espanha e Holanda. Forlán teve 23,4% do votos, superando o holandês Wesley Sneijder (21,8%) e o espanhol David Villa (16,9%). Também concorreram Iniesta e Xavi (Espanha), Robben (Holanda), Schweinsteiger e Özil (Alemanha), Gyan (Gana) e Messi (Argentina).
Já o meia-atacante alemão Müller, de 20 anos, ganhou o prêmio de melhor jogador jovem da competição, também concedido pela Fifa. Derrotou o armador ganense Ayew (filho de Abedi Pelé) e o meia-atacante Giovanni dos Santos, do México. Além disso, Müller recebeu também a Chuteira de Ouro. Apesar da artilharia dividida com o próprio Forlán, com David Villa, da campeã Espanha, e com Sneijder, da vice Holanda (todos com cinco gols marcados), Müller levou a melhor por ter feito mais assistências (três ao todo) que seus três rivais. |