Elvis Presley é a maior força cul-tural do século XX. Os Beatles representam a versão pop de Schubert, o erudito sublime. Música e or-gasmo são a mesma coisa. À diva Maria Callas: - A senhora sabe cantar em italiano? Ao tenor José Carreras: Aprenda a cantar em inglês, sem sotaque espanhol. Sobre a Orquestra Sinfônica dos Meninos de Sofia: É o cume da civilização! Leonard Bernstein (1918-1990) transformava sua verve de frasista em sentenças, que viravam lendas. Esse era apenas um aspecto de seu talento: alquimia de comunicador, compositor, pianista, regente e pedagogo.
Certa vez seu guru, o maestro Fritz Reiner, arriscou defini-lo: "Leonard é como um giroscópio humano". A definição pegou e consta de algumas biografias de Berstein. Sim, ele parecia munido de antenas que o plugavam o tempo todo no presente, passado e futuro.
A composição não era sua principal atividade. Assim mesmo, escreveu musicais (West Side Story, Candide, Wonderful Town); sinfonias (Jeremiah, Kaddish, The Age of Anxiety); óperas (Trouble in Tahiti, A Quiet Place); música de câmara (Sonata para Clarinete); música para cinema (On The Waterfront) e para vozes (Mass, Peter Pan e I Hate Music).
O forte de Bernstein era a atuação no pódio. Regeu obras emblemáticas: missas de Mozart, sinfonias de Beethoven, Bruckner, Shostakovich e, sobretudo, Mahler - sua paixão. Pioneiro dos programas pedagógicos para rádio e TV, produziu concertos comentados para jovens, registrados hoje em belíssima coleção de DVDs.
Sua herança discocráfica, transcrita em grande parte para DVD, revela o músico que lidava à vontade com o erudito e o jazz. Tanto que em suas obras eruditas o jazz se insere de forma divertida, jamais como colagem banal. West Side Story é uma síntese do espírito de Bernstein.
Comprove vendo (ou revendo) o making of em DVD da trilha dessa peça que ele gravou para divulgação em disco. DVD da DG, 89' , aberto a todos os códigos. (MMJ) |